Dificuldades na educação dos filhos pós adoção

Educar um filho não é tarefa fácil, exige muita paciência, perseverança, firmeza e amor. Dar uma bronca e o tão falado limite pode ser bem doloroso para muitos pais, mas não há dúvidas de que é necessário. No caso de pais que tem filhos por adoção podem surgir mais dificuldades na hora de educar. Mas não deveria ser assim, já explico o porquê.

O fato de seu filho ter um início de vida do qual você não fez parte não muda em nada os valores que você quer passar a ele, então porque haveria de ser diferente o modo de educar? A forma como se educa um filho é construída diariamente, em cada experiência vivida, portanto a história pregressa dele não deveria influenciar a forma como você irá passar aquilo que julga importante para sua formação como indivíduo.

Um grande mito na educação de filhos que foram adotados é ter “medo” da genética do filho. Sim, a genética é um componente importante, mas não é determinante. O que irá influenciar de fato na criação do seu filho é o vínculo construído, o diálogo, os limites, o amor. Não importa quão difícil pode ter sido o passado dele, o importante é que agora ele tem uma família que o ama e está pronta para lhe oferecer todo o carinho, isso sim é fundamental para passar uma boa educação para seu filho.

Como qualquer criança/adolescente seu filho irá te testar, isso faz parte do crescimento. No caso de adoção é provável que surjam questões específicas que não surgiriam caso fosse biológico, como por exemplo: “você não é a minha mãe!”, “Eu não quero mais vocês!”. Momentos assim devem ser encarados como qualquer momento difícil da educação de um filho, afinal, também não é fácil ouvir de um filho um “eu te odeio!”, “tu não manda em mim!”.

Não há motivos para haver diferença na criação de um filho pelo fato dele ter sido adotado. O que existe são questões específicas que surgem devido à adoção e essas questões serão trabalhadas como qualquer outra questão que possa surgir. Caso seja necessário existe ajuda profissional para lidar com isso, tanto para pais como para filhos. É comum alguns pais acharem que os filhos não irão gostar mais deles caso sejam contrariados. Se seu filho ficar brabo com você, vai passar, ele não vai deixar de te amar por causa disso. Ele não vai querer outros pais por um sentimento de raiva momentâneo. Até porque isso nem seria possível, vocês são os pais dele e essa é a realidade.

Portanto, não tema os momentos difíceis, pois eles irão surgir em algum momento como em qualquer relação entre pais e filhos. Se você está sentindo dificuldades em educar seu filho pelo fato dele ser adotado, saiba que essa é uma questão particular sua. Procure ajuda para compreender o porquê dessa dificuldade e assim será mais fácil lidar com essa situação. Assim como “mãe é mãe” “filho é filho”, com amor e paciência as dificuldades se dissolvem.

Espero ter ajudado a refletir um pouco sobre uma situação tão difícil e tão comum na vida dos pais.

Um beijo e até a próxima!

Lívia


Lívia Oliveira: Psicóloga (CRP 07/18713) formada pela PUCRS, com formação em Psicoterapia Humanista (Ser & Existir – Centro de Estudo da Pessoa/RS).  Atua na área da Psicologia Clínica atendendo individualmente a crianças, adolescentes, adultos e terapia de casal. É colaboradora do blog Gravidez Invisível.

Veja mais: http://gravidezinvisivel.com/psicologia-e-adocao/

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4 comentários sobre “Dificuldades na educação dos filhos pós adoção

  1. Educar é uma tarefa difícil demais, não creio q por ser da adoção somente, mas passar valores, explicar que se quer o melhor para o seu filho é algo q tenho entristecido. Faz pouco tempo q o meu filho de 8 anos e 7 meses conheceu alguns irmãos biológico, a pedido dele, E percebo até hj depois de quase um mês, q ele não consegue muito lidar com a história dele, tem tido um comportamento diferente do normal dele. Acredito qie vou precisar de uma psicóloga para ele. Não tá fácil.

  2. Educar filhos é uma tarefa muito difícil, mas não impossível independente se é filho biológico ou adotivo, limite é a palavra chave, criança é esperta e ela sabe até onde pode ir com os pais. Os pais toda vez que perceber que os filhos estão “difíceis de lidar ” devem se fazer a seguinte pergunta, quem é o adulto da relação? Seus filhos não vão deixar de ama-los por impor limites, as crianças devem ser frustradas adequadamente para que não sofram na vida adulta por não aceitar os nãos que a vida ira lidar … Lembre-se sempre sem violência … Olhe nos olhos do seu filho e diga de maneira firme,pois vocês são os adultos desta relação.

  3. Concordo que não há motivos para ter diferença na transmissão de valores e educação, mas a forma é completamente differente. Tem differença sim, algumas crianças têm síndrome alcoólico fetal, tem traumas, tem vínculos afetivos dissociativos ou inseguros. Essas são questões que interferem com o aprendizado. Se pegarmos 2 filhos biológicos, 1 “normal” e outro com Síndrome de Down, as formas pra transmitir conhecimento e gerenciar o potencial são completamente differentes. Transmitir valores e educação iguais aos seus, sim. A forma como isso é transmitido, bem, isso pode ser bem differente. Mãe é mae, filho é filho. Adotado ou biológico, a busca pelo maior potencial e desenvolvimento faz parte da vida de quem realmente ama, às vezes até mais.

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