Dúvidas? Vamos conversar?

Olá, pessoal!

Meu nome é Lívia Oliveira, sou psicóloga clínica e colaboradora aqui do blog.

Woman's hand writing question mark

Algumas semanas atrás a Luciane publicou com post com diversos questionamentos que surgiram quando seu filho chegou. Certamente as dúvidas dela são de muitas mães também, então… Vamos lá?!

1. Não tivemos o contato físico durante a gravidez, não estava dentro da minha barriga, certamente estava no meu coração, mas será que estou transmitindo pro meu filho amor suficiente?

2. Será que amo tanto o meu filho quanto uma mãe que passou pelo processo de ter o bebê na barriga?

Já vou responder as duas ao mesmo tempo! Em primeiro lugar: amor é amor e mãe é mãe. Não importa como seu filho chegou até você, seu desejo de ser mãe e ter seu filho não é diferente de uma mãe que teve gestação física.  O processo de gestação sim é bem diferente, mas o amor não tem diferença, pois ser mãe vai muito além de gestar uma criança. O que faz uma mãe existir é a relação com seu filho.

3. Será que um dia a mãe biológica virá atrás do meu filho?

4. No caso de pai biológico desconhecido, será que um dia ele descobrirá sobre esta criança e virá atrás do meu filho?

Sobre a questão dos pais biológicos: impossível de prever se algum dia eles irão procurar pelo seu filho e vice versa. A grande questão é: como você e sua família lidam com isso. Independente se irá acontecer uma procura futura ou não, lidar com essa parte da história é fundamental. Seu filho tem o direito de saber sua história completa, afinal de contas os pais biológicos também compõe essa história de vida. Lidar com essa verdade desde cedo ajuda a tranquilizar pais e filhos caso um dia essa procura aconteça. Esconder, proibir, negar, dificultar não ajudam em nada nesse momento, ao contrário. Por isso é importante os pais adotivos se prepararem desde cedo para lidar com esse assunto, pois quanto mais dialogo e abertura houver mais fácil será de lidar caso isso venha a acontecer.

5. Será que não estou mimando demais meu filho?

Eu pergunto: qual mãe não mima o primeiro filho? Como não mimar aquele ser que você aguardou por tanto tempo e agora está bem ali, juntinho de você?!

Acho que a grande questão é: o que é mimar demais para você? A “quantidade” de mimos varia muito de pessoa para pessoa… e não são os mimos que irão determinar a personalidade do seu filho no futuro e sim a educação que você dá. O que torna uma criança dita “mimada” não é o excesso de mimo, mas sim a falta de limites, baixa tolerância a frustração, falta de empatia, de respeito entre outras coisas.

A dica é: fique atenta ao seu filho. Se algo estiver em excesso ele irá te mostrar, basta estar atenta.

6. Fico insegura quando outras mães tem contato com meu filho, isso é normal?

7. Como explicar para os mais próximos que queremos ter mais momentos à sós com nosso filho para criarmos um vínculo forte de amor e confiança uma vez que não tivemos a preparação física de nove meses?

É natural que essa sensação de insegurança apareça. Afinal de contas, há uma sensação de “desvantagem” da mãe adotiva em relação a mãe biológica, já que ela teve a oportunidade de se relacionar com o bebê durante a gestação. Como disse, essa é somente uma sensação de desvantagem, você não é “menos” mãe por não ter gerado seu filho. Entretanto, por mais que se tenha isso claro, internamente a insegurança pode aparecer, afinal vocês estão no início da formação de um vínculo, vocês ainda estão se conhecendo. Pode passar pela cabeça da mãe a dúvida: será que ele vai saber que eu sou a mãe dele? E a resposta é: claro que sim! Por mais contato que ele tenha com outras mulheres você certamente estará se empenhando para que ele te reconheça como mãe. Haverão momentos únicos entre vocês que nenhuma outra pessoa terá. É no dia a dia que essa relação irá se construir e a base dessa relação é o amor, como de qualquer mãe.

Como em qualquer início de relação, independente se é filho biológico, adotivo ou adoção tardia é importante que a família (mãe, pai e filho) tenha momentos de intimidade onde não haja mais ninguém por perto para que os pais possam experimentar e inciar de fatos seus novos papéis. É natural que todos queiram ficar por perto e conhecer o novo membro da família, por isso é importante que esse limite venha do casal. Se para o casal é importante ter mais momentos a sós isso deve ser sinalizado para o restante da família. Um diálogo franco e aberto é a melhor tentativa. Explicar para os familiares a importância desse momento e pedir a colaboração deles é o ideal.

8. Será que amarei meu segundo filho com a mesma intensidade?

Se você sente vontade de ser mãe novamente e aumentar a família, sim, você irá amar muito seu segundo filho. Entretanto é importante compreender que provavelmente não seja da mesma forma, e isso não quer dizer nem mais nem menos, apenas diferente. Quando seu primeiro filho chegou todas as atenções eram voltadas pra ele, já no segundo essa atenção não é única. Será um momento diferente, você terá mais de um filho para amar e cuidar e, na minha opinião, o amor não se divide, ele dobra. Outra coisa que dobra é o trabalho, portanto, não se cobre tanto. Talvez as coisas não saiam como nos seus sonhos, mas certamente você irá amar de uma forma que jamais imaginou que seria capaz.

Espero que esse post tenha ajudado. Qualquer dúvida ou sugestão, fiquem à vontade para deixar nos comentários!

Beijos e até a próxima!

Lívia.

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7 comentários sobre “Dúvidas? Vamos conversar?

  1. Olá sou mãe adotiva de uma menina de 5 anos.Quando ela tinha 3 anos e meio me perguntou se ela havia nascido da minha barriga eu disse que não pois tinha um problema na minha barriga e que outra mulher tinha ficado grávida dela e que como ela não podia cuidar dela e sabia que o nosso sonho era termos uma filha ela nos deu ela para adoção. Disse para ela que a nossa vida antes dela chegar em casa era tudo preto e branco mas depois da sua chegada nossa vida se encheu de cores. Ela veio até mim me deu um beijo e um abraço e me perguntou se era verdade que nossa vida era toda colorida eu disse que sim e ela me deu mais um abraço. Depois deste episódio achei que ela iria me fazer mais perguntas mas ela nunca mais tocou no assunto. Agora ela está com 5 anos e parece que não se lembra da conversa que tivemos. O que devemos fazer? Chamá-la para conversar com ela ou espera ela demonstrar curiosidade novamente pelo assunto? abraços e agradeço pela atenção.

    • Olá querida, a verdade é sempre melhor, e segundo o psicólogo Luiz Schettini Filho: “Não basta dizer a verdade, é preciso que ela seja bem dita.” Seria bom vocês comprarem livros infantis sobre o tema para que possam pouco a pouco ir falando com ela. Tem que ser algo natural para ela. Sei que no dia a dia até esquecemos disso, pois o amor é enorme e não ficamos pensando se tem o mesmo sangue ou não, mas é importante lidarmos com a verdade, com os termos sobre adoção para que seja algo familiar para ela e não seja uma surpresa se outra pessoa falar sobre isso. Temos alguns textos aqui no blog, dá uma lida em geral. Qualquer coisa estamos por aqui. Beijos Lu.

  2. Olá Luciana obrigada pela atenção. É exatamente esta a minha dificuldade em tocar novamente no assunto com ela. Ela é tão parecida conosco em todos os aspectos. uma filha tão especial, querida , amorosa que nem penso mesmo se ela é ou não do mesmo sangue. Para mim parece que fui eu quem a gerei e dei a luz. Tenho medo de depois de contar a ela que ela mude se entristeça e mude o jeito de ser dela. Vocês tem alguma sugestão de livros para que eu possa comprar? Abraços.

  3. boa noite ,meu nome é Ana Lucia e minha historia émuito parecida com a da Miliane,meu filho tem 5 anos e quando tinha 4 anos me perguntou se ele havia nascido da minha barriga falamos a historia da vida dele ,resumindo depois disso poucas vezes voltou a fazer perguntas porem ama beijar minha barriga e ficar com a cabeça encostadinha na minha barriga e eu fico afagando ele,essa atitude dele é previsível??Obrigada.

  4. OLA BOM DIA ESTOU GRAVIDA DE UMA MENINA DE 7 MESES E O PARTO ESTAR MARCADO PARA 24 DE DEZEMBRO ESTOU DESESPERADA POIS NAO QUERO A CRIANCA POR CONDICOES FINANCEIRAS E SOU MAE SOLTEIRA MINHA FAMILIA NAO ME APOIA QUERO DOAR PARA UM CASAL QUE TENHA MUITA ATENCAO E AMOR PARA DAR A ELA ELA POIS SOU SOLTEIRA NAO TRABALHO FIXO E SOU SOZINHA O QUE FAÇO POIS ESTOU DEÇIDIDA E É ISSO AI OQ FAÇO? ALGUEM ME FALA ALGUMA COISA?

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