Os benefícios do uso do sling especialmente nos casos de adoção

Gente, compartilho com vocês este texto que a leitora Barbara Lito traduziu de um livro em francês “Pele a pele, técnica e prática de carregar bebês” (título original “Peau à peau, technique et pratique du portage”) e compartilhou conosco. A autora Ingrid van denPeereboom explica os benefícios do uso do sling, e, especialmente nos casos de adoção, pode colaborar muito no desenvolvimento do vínculo afetivo entre pais e filhos. Eu achei as dicas muito valiosas, vale a pena a leitura! Um beijo, Lu.


Do prazer e da paz

O bebê cria um vínculo com seus pais através do tato, o primeiro dos sentidos que amadurece no útero da mãe, mas também através do olhar e dos demais sentidos. Observamos agora algumas situações que ilustram perfeitamente a riqueza que nos oferece o carregar os bebês, além de suas vantagens e praticidades

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Sling e adoção

No marco da adoção, o ser carregado corpo a corpo constitui, para o bebê e seus pais, a ocasião de crias vínculos fundamentais para o futuro de sua relação, de descobrir em si mesmos os instintos materno ou paterno, segregar oxitocina, o hormônio do amor.

Mas no Ocidente, a relação mãe-filho não é simbolizada pelo sling. Ao contrário, se acompanha de uma grande quantidade de instrumentos de puericultura, encabeçados pelo imponente, majestoso carrinho. Seu lugar é tão importante nas referências coletivas europeias que poucas pessoas podem conceber essa relação parental sem sem a correspondente coleção de acessórios. E sem dúvida esses utensílios provocam e mantém a separação de uma forma insidiosa. A longo prazo, é fundamental que o bebê e os pais estejam unidos por um forte vínculo. É necessário fomentar a todo custo essa relação vital. Uma das primeiras maneiras de consegui-lo é a proximidade pais-filho ou filha.

Vidal Starr Clay se interessou pelas interações táteis mãe-filho nos EUA: “A questão é saber se a quantidade e as formas de estímulo tátil e de contatos que as mães americanas oferecem a seus bebês e a seus filhos maiores correspondem a suas necessidades fisiológicas e emocionais. Devemos responder negativamente”. Clay constatou em várias ocasiões que os contatos táteis entre mãe e filho de baixa idade (antes da aquisição da fala) revelam frequentemente a necessidade de dar-lhe cuidados e uma educação, mais que simplesmente expressar amor ou afeição. As práticas impessoais de educação dos filhos que durante muito tempo esteve na moda nos EUA implicam uma ruptura precoce nos vínculos mãe-filho e a separação da mãe e do filho por mamadeiras, roupas, mantas, carrinhos, berços e outros objetos materiais”.

Qualquer que seja o nascimento e a história de um bebê, não é suficiente em ocupar-se dele de um modo distante para que se teçam os laços mais íntimos. O tipo de relação é determinante para o vínculo em formação. O contato em movimento e as numerosas sensações que permitem realizar trocas favorecem o relaxamento, a cura, o alívio das tensões ligadas tanto à história do bebê com a dos pais. Carregar em slings é uma prática que favorece os vínculos pais-filhos e o apego do bebê pelas pessoas que o amam e que ele ama, muito mais que aos objetos em seu entorno.

A colaboração com uma organização belga de ajuda à adoção nos permitiu medir de certa maneira a importância do moisés ou do carrinho para os novos pais. Depois de haver sido privados da gravidez, e diante do reencontro com um bebê, passam pela utilização do carrinho, símbolo da expressão da maternidade no Ocidente desde quase um século. Em vista do reencontro com seu filho adotado, os pais investem num incrível carrinho. Esse bebê não tem mais o corpo de um recém nascido, se alimenta de sólidos e brinca de forma autônoma. Aprendeu a não pedir muito contato.
Geneviéve, responsável por essa organização e mãe adotiva, alenta esse pais a ocupar-se de seus filhos de um ano ou mais como se fossem recém nascidos, a carregá-los sobre o ventre favorecendo o apego. Sugere que eles se autorizem a uma pequena “gestação reparadora” por meio de um sling resistente e envolvente: o wrap.

Carregar seu filho pode permitir que se conheçam verdadeiramente, ancorar esse novo amor em seus corpos. O bebê recusará, quem sabe num primeiro momento o aninhar-se no colo do carregador e pode levar um tempo até que se consiga isso.
Mas o reencontro é possível. Geneviáve nos da ideias sobre o papel de carregar o filho num processo de adoção: “O essencial a ser destacado no marco da adoção é a criação de vínculos […] Muitos pais subestimam a primitiva ferida do filho adotado. Se há adoção, há havido abandono. Separado de sua mãe biológica, o bebê tem um grande sofrimento, está desarmado e em profunda comoção. A operação deve dar certo, e para isso devemos dar para ele o tempo necessário. Necessita tempo, amor, e sobretudo muita paciência.

Às vezes é muito difícil para os pais viver os primeiros dias com um bebê adotado. Uma filiação de adoção não e uma filiação biológica. Os pais estão muitas vezes em condições difíceis, afastados de tudo, afastados deles mesmos, num ambiente raramente ‘ótimo’ para a acolhida de um bebê. Em três minutos, colocamos um bebê em seus braços, e frequentemente o pequeno não está em condições ‘ótimas’ de higiene (comparáveis as nossas – cheiro, piolhos, sarna), às vezes inclusive estão doentes […] Um bebê adotado tem necessidade de regressar, de retroceder para consolidar de novo suas estruturas. Tem necessidade de reviver com seus pais adotivos as etapas perdidas. Necessita sentir de novo o calor e a intimidade para descobrir um estado de bem-estar. Esses gestos de maternidade e paternidade são os gestos construtores que estimulam as partes mais instintivas e primitivas do cérebro.

Está provado que responder a essas necessidades acalmará suas feridas. Carregar o bebê permitirá a ele sentir-se em confiança em uma maternidade primária e favorecerá o contato visual, o olhar essencial para a construção da díade mãe/pai – bebê.
Às vezes é difícil para certos pais começar a carregar seus filhos. A adoção chega muito frequentemente depois de múltiplos fracassos e perdas dolorosas. “As mães têm falta de confiança em si mesmas, tem desejo de se confundir com a ‘massa’ e, como todas, sonham com o carrinho que vão finalmente poder usar”.

Geneviéve me mostrou que esses bebês têm, antes de tudo, a necessidade de serem levados envolvidos, de cara para seus pais, como recém nascidos, mesmo que tenham um ou dois anos e que possam andar por si mesmos no momento do encontro, a fim de que possa nascer o laço (vínculo) que dê gosto a vida desses bebês sem raízes.

O apego pode nascer do olhar que o pai pousa sobre o filho, com independência do bebê. Esse olhar faz parte das necessidades essenciais do desenvolvimento do bebê: a necessidade de ver-se no olhar de seus pais.

Vejo aqui um vínculo com o trabalho de Édith Thoueille. Puericultora no Instituto de Puericultura de Paris, ensina mães cegas a lançar um olhar sobre seus filhos. Se elas não podem ver, eles têm a felicidade de ver sua mãe a olhá-los. Elas aprendem a girar o rosto até seus filhos, a segui-los, a ser seu espelho.

Extraído do livro “Peau à peau, technique et pratique du portage”, de Ingrid van denPeereboom

Traduzido por Barbara Lito

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Adoção: Em decisão inédita, Justiça Federal dá licença de 180 dias a pai solteiro

‘Fui adotado por ele também’, diz pai que ganhou licença inédita da Justiça

Servidor público de PE foi o 1º homem solteiro a ganhar licença de 180 dias.
Antes, benefício só havia sido dado a mães solteiras e casais homoafetivos.

O servidor público federal Mauro Bezerra, 49, tem o hábito de visitar abrigos e orfanatos desde a infância. Carregou a prática herdada pelos pais para a vida adulta e, em uma dessas visitas, acabou encontrando uma criança que mudaria sua vida para sempre. “Na hora que o vi, eu já sabia que era meu filho. Essas coisas não se explicam, só se sente”, contou em conversa ao G1nesta terça (14). Mauro se tornou o primeiro homem solteiro no país a conseguir na Justiça o direito a uma licença de 180 dias para poder cuidar do filho adotivo.

Toda a história começou no abrigo onde a criança vivia, no Recife. O menino de 4 anos apresentava problemas de saúde e chamou a atenção do servidor público. “Era uma criança debilitada, com intolerância à lactose e alergia a muitas coisas, que precisava de cuidados”, lembrou Mauro. Ele levou o garoto para consultas médicas, comprou medicamentos e passou a dar todo o cuidado que a situação exigia. Tudo por amor ao filho.

“Nem todo mundo que adota é dessa forma. A maioria das pessoas adota e esse amor vai crescendo. No nosso caso, essa convivência está sendo muito bem vinda”, explicou. Desde 17 de julho, quando o processo de adoção foi concluído, o servidor público começou a batalha pelo direito de ficar mais tempo com o filho. Como passava o dia no trabalho, Mauro se queixava de não conseguir ficar suficientemente ao lado da criança. “A criança precisa. Não é direito meu nem da mãe, é um direito para a criança. Uma criança de adoção tardia, aí sim que precisa, porque a carga emocional é muito pesada”, afirmou.

Hoje, o filho de Mauro tem um nome, uma família, certidão de nascimento. Começou a frequentar a escola há cerca de dois meses. O menino chama Mauro de pai desde os primeiros encontros entre os dois. Agora, Mauro espera aproveitar os próximos meses de licença para se aproximar ainda mais da criança e ajudá-la nas tarefas do dia a dia. Nesta quarta, por exemplo, auxiliou o menino em uma tarefa do colégio e o levou para o cinema. “Fui adotado por ele também”.

Decisão inédita
Antes de a Justiça Federal de Pernambuco conceder a licença de 180 dias a Mauro Bezerra, somente mães solteiras e casais homoafetivos, adotantes de crianças com menos de um ano, haviam conseguido esse tipo de benefício pelo mesmo período. A decisão, de caráter liminar, foi concedida pelo juiz federal Bernardo Monteiro Ferraz no último dia 30 de setembro.

Mauro havia solicitado a concessão da licença à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), onde trabalha, mas teve o pedido negado. A Sudene ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).

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Na liminar, o juiz ressalta que, como adotante solteiro, o servidor é o único responsável pela tutela e bem-estar do filho. “Em casos tais, há de se garantir o tempo livre necessário à adaptação do menor adotado à sua nova rotina, em tempo idêntico ao que seria concedido à adotante do sexo feminino. O acompanhamento e aprofundamento do vínculo afetivo nos momentos iniciais da colocação no novo núcleo familiar minimizam questões inerentes ao processo de adaptação à nova realidade”, destacou o juiz.

Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/10/fui-adotado-por-ele-tambem-diz-pai-que-ganhou-licenca-inedita-da-justica.html

http://www.dgabc.com.br/Noticia/1009740/juiz-da-180-dias-de-licenca-a-homem-solteiro-por-adocao?referencia=ultimas

Foto: http://www.theatlantic.com/business/archive/2013/12/the-business-case-for-paternity-leave/282593/

Depressão infantil

A DEPRESSÃO INFANTIL ESTÁ ASSOCIADA A FALTA DE AFETIVIDADE MATERNA. A FALTA DESTA AFETIVIDADE DESENCADEIA MARCAS PROFUNDAS NA FASE ADULTA.

Estudo e dados da OMS.

Transtorno da Afetividade na infância precoce

Durante muitos anos a depressão infantil não foi considerada ou, quando muito, esperava-se encontrar nas crianças a mesma sintomatologia do adulto deprimido. Critérios mais adequados de diagnóstico, juntamente com a eficácia incontestável dos tratamentos, com notável melhora na qualidade de vida emocional e no desempenho dessas crianças, conscientizaram os profissionais envolvidos na área da existência desse quadro.

Para essas alterações afetivas possíveis na primeira infância a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou uma série de critérios de observação. Foi um grande passo na descrição dos transtornos psicológicos nesta faixa etária, dividindo-os em duas categorias:

1. Reação de Abandono (ou de Dor e Aflição Prolongadas), que é específica das situações onde falta a figura materna ou de um cuidador afetivamente adequado, e;
2. Depressão na Infância Precoce.

Na primeira infância se detectam alterações depressivas quando o lactente é pouco comunicativo, confundido normalmente com um bebê muito bonzinho ou, por outro lado, quando a depressão se manifesta com irritabilidade, caracterizando bebês irritáveis, com tendência a hiperexcitabilidade, ou ainda, com retraimento social e aversão a estranhos, fazendo os bebês estranharem muito as mínimas mudanças em seu entorno.

Na faixa etária bastante precoce existe a questão do apego, que é um impulso primário e inato, parte de um processo de seleção natural onde a criança desenvolve um forte vínculo afetivo para com a figura de maior ligação afetiva, em geral a mãe. O apego é uma resposta de busca de proteção necessária à sobrevivência da espécie. O bebê afetivamente mais sensível pode ter dificuldades em relação ao apego e vice-versa, ou seja, problemas na oferta do vínculo afetivo podem ocasionar dificuldades afetivas futuras.

Fonte: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO%2FLerNoticia&idNoticia=339