Entrega consciente: Estou grávida e quero entregar a criança para adoção, o que fazer?

Gente,

Resolvi escrever este post para esclarecer dúvidas sobre a entrega de uma criança para adoção. Eu participo de alguns grupos de adoção em sites de maternidade e uma moça deixou uma mensagem assim:

” Estou grávida, sou muito nova, ainda estou estudando e não é meu momento de ter esta criança, mas não quero tirar a vida dela, como faço para doar a criança, entregar para adoção?” Anônimo

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Imagem da internet

Em primeiro lugar quero dizer que fiquei chocada com as respostas que esta pessoa recebeu. Além de insultos, inúmeras informações erradas. Pesquisei em sites de órgãos competentes do nosso país e organizei as informações abaixo para deixar esta resposta registrada aqui no blog, assim servirá como consulta para quem estiver procurando na internet pois não quer expor o seu caso para ninguém conhecido.

“A entrega do filho para a adoção é um direito assegurado às gestantes pelo parágrafo único do artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com o dispositivo, a orientação sobre como proceder deve ser fornecida pelas Varas da Infância e Juventude. “Dessa forma, nossa filosofia é acolher a gestante sem qualquer tipo de pré-julgamento. Isso significa ouvi-la de forma qualificada. O objetivo é garantir a ela ambiente psíquico-social para que possa refletir e assim construir de forma segura a decisão de entregar ou não o filho para a adoção”, explica o supervisor.

Segundo Gomes, o trabalho visa diminuir a estigmatização dessas mulheres. “A gestante que nos procura carrega consigo a censura social, que a qualifica como uma pessoa perversa ou má. Esse ato está longe de ser um abandono. Ao tomar essa decisão, a gestante demonstra a limitação que sente para exercer a maternidade, assim como enorme respeito para com a criança, que poderia ter sido abortada, abandonada na rua ou dada para qualquer um”, destaca.”

Texto completo no link: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/24843-gestantes-que-desejam-entregar-filho-em-adocao-sao-atendidas-pela-vara-da-infancia-e-juventude-do-df

Outras informações:

Existe diferença entre abandono e adoção?

Sim. Há várias formas de abandono (físico, educacional, afetivo, moral). Abandonar é privar a criança ou o adolescente de ter um desenvolvimento satisfatório, deixando-a à própria sorte ou entregando-a a quem não tem condições de amá-la e educá-la em ambiente adequado.

Doar é um ato consciente de abrir mão da convivência com o filho, em razão de suas próprias carências preocupando-se em oferecer-lhe um lar que garanta-lha um destino melhor.

Porque mães e/ou pais doam seus filhos?

Existem várias razões para que pais não fiquem com os filhos: falta de recursos financeiros que dificultam a criação de laços afetivos, despreparo emocional, falta de suporte social, entre outros.

Vale ressaltar que, na maioria das vezes, cabe à mulher fazer a doação ou abandonar o filho, haja vista o homem se recusar a assumir a paternidade desde a gestação.

O que é Adoção?

Única forma admitida por lei de uma pessoa assumir como filho uma criança ou adolescentes nascido de outra. A adoção só existe quando feita por meio do Juizado da Infância e da Juventude. Garante ao filho adotivo os mesmos direitos do filho biológico, inclusive os de herança.

Fonte: http://www.tjro.jus.br/admweb/faces/jsp/view.jsp?id=a2d9ea7a-b01b-4b69-99b4-5b19ed8d92ef

Sinceramente considero uma atitude muito responsável e de respeito ao Criador da vida. Reflita comigo:

1º) Uma mulher engravida e identifica que não é o seu momento de vivenciar a maternidade.

2º) Reconhece que não tem o direito de tirar a vida desta criança.

3º) Decide entregar para adoção para que outra família dê todo o amor e condições dignas de vida que toda criança merece.

4º) Vai até a Vara da Infância e segue todos os trâmites legais para entregar a criança para adoção

Ainda assim você julgaria esta mulher?

Em outros países não temos tanto julgamento com essas mulheres como acontece aqui no Brasil. Infelizmente a falta de acesso à informação correta e o preconceito tem colaborado para o número elevado de abandonos. Na hora do desespero, a mulher não se dá conta que abandonando na rua será procurada pela polícia e responderá por um crime, causando uma exposição muito maior, além do trauma.

Eu serei eternamente grata à mulher que gerou biologicamente o meu filho que já estava sendo gerado no meu coração há muitos anos.

Para concluir, deixo aqui a “Carta Aberta à Mãe Biológica do Meu Filho” escrita pela Paula Abreu no livro “A Aventura da Adoção”, endereçada às mulheres que doam os filhos para adoção, especialmente à mãe biológica do seu filho:

CARTA DE AMOR DE MÃE:

A você que também foi mãe do meu filho, a você que me deu o presente
mais valioso que jamais ganhei em toda a minha vida.
Peço a Deus, todos os dias que você esteja bem, que tenha saúde, que
possa ter outros filhos quando quiser, e se quiser, que seja feliz.
Que nunca, jamais se arrependa do gesto de amor que praticou, que por
mais que não me conheça, que não saiba para onde foi o bebê que você
gerou, gestou e pariu, saiba no seu coração que ele está bem e que
está com a melhor família que poderia ter encontrado. Uma família que
o desejou por tantos anos e que fará de tudo para que ele seja a
criança mais feliz do mundo.
Peço também que o meu filho tenha herdado o seu senso de
responsabilidade, e que saiba, como você, arcar com as consequências
dos seus atos, que não prefira o caminho mais fácil ou rápido, mas sim
busque o caminho correto.
Que como você, respeite a vida humana, acima de todas as coisas.
Obrigada por, diante de uma questão de tamanha importância, não ter
pensado somente em si, mas também, na vida que gerava, e nas vidas que
poderia mudar, tomando a decisão que tomou.
Obrigada por ter tomado essa decisão.

A Fátima Bernardes leu esta carta no seu programa especial sobre adoção:

http://globotv.globo.com/rede-globo/encontro-com-fatima-bernardes/v/fatima-le-carta-de-uma-mae-adotiva-que-esteve-no-primeiro-dia-do-programa/2017435/

Espero que este texto chegue até você, que está neste momento de decisão tão importante, e também, que chegue até você, que até então julgava uma mulher que tomasse essa decisão. Encerro este post com muito respeito ao Criador pelo dom da vida. Muito amor e gratidão pela oportunidade de ter este espaço para esclarecimento e acolhimento.

Beijos com amor,

Luciane

Vídeo sobre o trabalho da Vara da Infância no acolhimento das gestantes que querem entregar o bebê para adoção:

http://globotv.globo.com/rede-paraiba/jpb-2a-edicao/v/projeto-ajuda-maes-que-querem-doar-e-mulheres-que-querem-adotar-filhos/4206644/

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Adoção: Amor não combina com preconceito

Adoção inter-racial comprova o óbvio: amor não combina com preconceito

Aumenta número de adotantes indiferentes à raça, mesmo que lentamente o quadro está mudando no Brasil

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Apesar de vivermos em um país onde a Constituição garante que “Todos somos iguais perante a lei”, a realidade é bem diferente, a intolerância às diferenças raciais ainda se configura na atitude de adotantes que demonstram suas preferências, geralmente por crianças brancas.

No entanto, dados de dezembro de 2012 do Cadastro Nacional de Adoção revelam que há mais pessoas interessadas em adotar crianças ou adolescentes de qualquer raça. No mesmo mês de 2010, 31,4% das 30.378 pessoas cadastradas não se importavam com a raça da criança ou adolescente disponível para adoção. Dois anos depois, a porcentagem cresceu para 37,75% dos 28.780 pretendentes cadastrados.

O autor de “Amor à Vida”, Walcyr Carrasco, decidiu mudar os rumos dos personagens, Nico (Thiago Fragoso) e Eron  (Marcello Anthony), o casal gay de “Amor à Vida”, que está no processo de adoção de Jaiminho, o ator Kaiky Gonzaga.  A intenção do autor é levantar a discussão sobre a discriminação sexual e racial.  No folhetim, o escritor deixa bem claro que o amor pode superar qualquer barreira.

Mesmo que muito lentamente as coisas estão mudando no Brasil. Há dois anos, o percentual de pessoas que só aceitariam adotar crianças ou adolescentes se a raça deles fosse branca superava em 5,83%, o dos indiferentes à raça do adotado. Hoje, a relação se inverteu: há 3,55% mais indiferentes em relação ao perfil étnico das crianças do que os pais em potencial que só teriam filhos adotados da raça branca.

Pais famosos como Angelina Jolie e Brad Pitt, Madonna, Nicole Kidman e Tom Cruise são exemplos quando o assunto é adoção. Todos adotaram criança de partes diferentes do mundo; como, Camboja e Etiópia convivem de forma harmoniosa e feliz.

Aqui no Brasil o número de crianças pardas esperando para serem adotadas diminui. Segundo dados Conselho Nacional de Justiça em dois anos, o número caiu de 4.020 para 2.559. Já a comparação dos dados do CNA mostra que o percentual de interessados em adotar apenas crianças menores de um ano caiu de. 19,6% do total de adotantes, atualmente são 16,16% do total.

Fonte: https://www.espacodamamae.com.br/noticia.php?id=975