O que acontece com as crianças que não foram adotadas?

Ao chegar à maioridade, órfãos sofrem com um segundo abandono.

Abandonados pela família e esquecidos pelo estado. Os órfãos chegam aos abrigos com diferentes idades, mas o prazo de saída é único. Chegar aos 18 anos é a sentença irrecorrível ao novo abandono para aqueles que não foram adotados. Mesmo contra a essência das políticas de proteção do poder público, os jovens são deixados por sua própria conta e risco. Uma interrupção brusca de seus relacionamentos dentro dos lares e principalmente na sua formação profissional. Sem alternativas, os jovens voltam ao ponto de extrema vulnerabilidade social.

Aliás, planejamento é palavra de ordem quando o assunto é proteção da criança e do adolescente. O promotor de justiça, Murillo Digiácomo, 43 anos, defende uma ação conjunta de vários órgãos públicos. “O poder público não deve e nem pode, legalmente falando, abandonar esses jovens. É desumano arquivar um ser humano, apenas por que ele é maior de idade. O estado tem a obrigação de ajudar esse adolescente até ele adquirir autonomia. Infelizmente, muitos departamentos não tem conhecimento dessa especificidade da lei”, afirmou o promotor.

A preocupação em liberar o filho para o mundo também tira o sono dos educadores dos lares. A discussão sobre a idade ideal volta à tona juntamente com o fator dependência afetiva que os órfãos desenvolvem ao longo do crescimento.

A assessoria da 2ª Vara da Infância e Juventude declarou que o acompanhamento das crianças é feito até os 18 anos. Após atingir a maioridade, o jovem já não é mais considerado responsabilidade desse setor e fica a critério dos lares darem abrigo para eles ou não.

A discussão vai além das obrigações das instituições específicas. O promotor ressalta a importância do poder público assumir para si a responsabilidade por esses jovens adultos, com um plano eficaz para terminar a formação desse cidadão. Todavia, é questionável até qual idade esse acompanhamento deveria ser feito. “Não sei, cada pessoa tem seu tempo. Nós temos inúmeros exemplos de pessoas que ficam até os 30 anos na casa dos pais. Não queremos que o jovem fique ‘encostado’ no estado, mas defendo que cada um amadurece em idades diferentes”, falou o promotor Digiácomo.

Os Centros de Apoio a Criança e ao Adolescente, as instituições que abrigam os jovens e seus educadores lutam para desmistificar a ideia de que se está fazendo um favor aos adolescentes os criando. Eles querem mostrar para o estado que os órfãos são seus filhos também.

Escrito por Mariana Ceccon
Fonte Jornal Centro Cívico

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A música e os bebês

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A música tem influência direta no comportamento do ser humano, inclusive em bebês. Ela pode acalmar a ponto de fazer dormir, assim como pode deixar o bebê elétrico e agitado.

Pesquisas apontam que a música erudita, sendo as obras de Mozart as mais testadas, pode ajudar na recuperação de bebês prematuros. Alguns médicos obstetras afirmam ter obtido excelentes resultados na realização de partos ao som da música erudita. O ginecologista e obstetra Ângelo Tasca observou que ao realizar um parto ao som de Mozart, sua equipe trabalhou de forma mais tranquila que de costume. Além disso, a música pode ajudar a estabelecer uma relação mais estreita com o bebê, como por exemplo cantar uma cantiga de ninar, o fazendo dormir.

Adriana Paz
Diretora Artístico/Musical do Instituto Hope House

As consequências da ausência paterna

As consequências da ausência paterna


A Ausência da Figura Paterna e sua Repercussão no Desenvolvimento Comportamental do Adolescente em Conflito com a Lei

 

O tema em análise desperta interesse nos dias de hoje, devido à modificação da estrutura familiar atual, onde crescer numa família sem o pai está cada vez mais comum e este fato, de acordo com algumas teorias, está diretamente relacionado com delinqüência-juvenil.

O papel do pai na sociedade foi modificado, sobretudo nas últimas décadas. Até o fim do século passado, o pai desempenhava essencialmente uma função educadora. Depois da II Guerra Mundial e em consequência de alterações profundas que surgiram na sociedade ocidental (ambos os pais empregados, família nuclear, dificuldades econômicas) o pai se tornou cada vez mais participativo. Na nova redistribuição igualitária dos papéis masculino e feminino, o homem como marido e como pai tem sido o principal alvo de transformação.[1]

A sociedade atual tem passado por grandes transformações em todos os campos, trazendo mudanças aos comportamentos das pessoas. Tais mudanças afetam também a forma de se educar os filhos. Não se pode mais falar hoje, de um modelo de pai, pois muitos são os tipos de estruturas familiares. Tempos atrás, a família patriarcal era soberana. Bastava ao pai prover autoridade, segurança física e financeira, pronto, seu papel estava sendo perfeitamente cumprido. Hoje, ainda remanescem algumas famílias patriarcais, mas são poucas. O pai tem procurado participar mais, dividir responsabilidades e prazeres ao lado dos filhos.

A ausência do pai pode trazer conseqüências psicológicas ao adolescente. Se a ausência é definitiva, no caso de morte ou porque o pai não assumiu a paternidade, há que se trabalhar o contexto com a criança desde cedo contando a ela, na linguagem apropriada para a idade, o que aconteceu e como o restante da família enxerga a situação, procurando minimizar o sentimento de rejeição. Os filhos necessitam, em qualquer condição, de apoio, carinho, proteção, companhia, cuidados e limite[2]

É fundamental o papel do pai no desenvolvimento da auto-estima dos filhos, pois é nele que desenvolvemos noções de limite, influenciando questões relacionadas ao ajustamento e às mais variadas situações.

Muitas vezes a criança que é criada sem referencial masculino pode se tornar aversiva às ordens dadas por representantes femininos e outras figuras de autoridade. O modelo masculino se faz essencial na formação da personalidade da criança e do adolescente. É necessária uma figura de referência e de valores que possa criar um vínculo de afeto e estabelecer parâmetros de comportamento à criança. Este modelo pode não ser o pai biológico, mas outra figura masculina que dê este suporte, como um avô, um tio, o padrasto, por exemplo. É o caso de muitas mães que criam seus filhos longe deste pai biológico e que, no entanto, são crianças e adolescentes saudáveis por terem encontrado um outro modelo de referência. Por ser a adolescência uma fase caracterizada pela transição em vários domínios do desenvolvimento, seja biológico, cognitivo ou social; por conflitos internos e lutos que exigem do adolescente a elaboração e a ressignificação de sua identidade, imagem corporal, relação com a família e com a sociedade.[3]

A afetividade no comportamento do adolescente em conflito com a lei está relacionada principalmente com as características da interação familiar. Os pais em geral não são contingentes no uso de reforçadores positivos para iniciativas pró-sociais (Dumas & Wahler, 1985) e fracassam no uso afetivo de técnicas disciplinares para enfraquecer os comportamentos desviantes. Além disso, essas famílias são caracterizadas por uma disciplina severa (Pettit, Bates & Dodge, 1997; Rothbaum & Weiz, 1994) e inconsistente, pouco ou nenhum envolvimento parental quando se depara com lares em que o pai é ausente e quando presente se observa pouco monitoramento e supervisão do comportamento do adolescente (Loeber & Dishion, 1983).

Freud, em seu trabalho Leonardo da Vinci e uma lembrança da sua infância, diz: “na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada”.

As crianças que não convivem com o pai acabam tendo problemas de identificação sexual, dificuldades de reconhecer limites e de aprender regras de convivência social. Isso mostraria a dificuldade de internalização de um pai simbólico, capaz de representar a instância moral do indivíduo, tal falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para desenvolvimento da delinqüência.

Segundo Bowlby (1981), “o amor materno que uma criança necessita é mais facilmente encontrado na família”. Os serviços habitualmente prestados pelos pais a seus filhos são de tal maneira considerados naturais que a grandiosidade dos mesmos é esquecida. Não há nenhum outro tipo de relacionamento no qual um ser humano se coloque de maneira tão irrestrita e contínua à disposição de outro. Este fato também é verdadeiro no caso de maus pais, sendo um ponto facilmente esquecido pelos críticos, principalmente por aqueles que nunca tiveram seus próprios filhos para cuidar. Não se deve esquecer que mesmo os maus pais, que negligenciam seus filhos, estarão, não obstante, proporcionando-lhes muita coisa; isto porque, excetuando-se os piores casos, eles estarão fornecendo alimentação e abrigo, confortando-os na angústia, ensinando-lhes pequenas coisas e, acima de tudo, estarão proporcionando a continuidade nos cuidados humanos indispensáveis para que uma criança se sinta segura.

Para Winnicott (2002): “A base das alterações de conduta reside numa experiência inicial que se perdeu, uma privação emocional ligada às separações e perdas afetivas precoces”.

Partindo do pressuposto de que a função do pai, entre outras, é a representação da lei e da autoridade, podemos entender o quanto é difícil para crianças privadas desta relação conseguirem desenvolver a noção do que é certo ou errado, de censura, de limites.

Com isso não se pode negar que existem situações na quais os adolescentes vivem numa busca incessante de adaptação social e apresentam um forte sentimento de inferioridade que os leva a uma procura de reconhecimento constante, o que vai refletir diretamente em seu comportamento. As frustrações familiares impulsionam o adolescente a procurar, no grupo de iguais, mecanismos compensatórios para suprir esta ausência. Estes mecanismos, muitas vezes, estão associados a comportamentos anti-sociais como roubos, furtos, abuso de álcool e drogas e, conseqüentemente, violência. Estes jovens têm uma sensação de vazio existencial e uma percepção de que o mundo, a sociedade, tem uma dívida para com eles. E buscam compensar esta frustração, em alguns casos, através do delito.

A ausência do pai geralmente tem um impacto negativo em crianças e adolescentes, sendo que estes estariam em maior risco para desenvolver problemas de comportamento.
O que quer dizer que cada qual dos pais possui papel importante e vital no desenvolvimento do ser humano, e as continuações de uma criação má conduzida é fator principal para a inadequação social de toda e qualquer pessoa.

Skinner (1975), afirma que “poderíamos se quiséssemos solucionar muitos dos problemas de delinqüência e criminalidade, bastaria mudar o meio em que foram criados os transgressores”.

Faz-se necessário repensar o papel do pai como protagonista da vida de seu filho e não coadjuvante, pois, enquanto a mãe proporciona um suporte maior para as necessidades físicas e emocionais dos filhos, o pai cuida da solidez e da formação da personalidade, sendo os papéis de pai e mãe, complementares e fundamentais para a construção de uma personalidade sadia.

Através dos paralelos estabelecidos, pode-se constatar que o comportamento do adolescente em conflito com a lei é o resultado direto da ausência da figura paterna em seu desenvolvimento, seja porque essa figura paterna é ausente, melhor dizendo, não convive com esse adolescente, seja porque essa figura é indiferente a esse filho, ou falando de outra forma, mas com o mesmo significado, esse pai é presente em pessoa, mas não atuante na criação e em conseqüência, contribui diretamente para que esse adolescente cometa atos infracionais.

Destarte, destaca-se a grande importância da figura paterna para o melhor desenvolvimento satisfatório em relação ao emocional, cognitivo e comportamental do adolescente.

 

 Fonte: http://www.cdca-ro.org.br/default.asp?id=288&mnu=286