Adoção: ALTRUÍSMO OU DESEJO DE FILIAÇÃO?

Queridos, este texto vale a pena ser lido com muita calma e atenção!

Escrito por Tatiany Dreger Schiavinato:


Boa noite pessoal .. como estão todos ? A semana está começando e o semestre nas Universidades também.. Hoje gostaria de falar um pouco sobre o Universo da “Adoção”. Eu particularmente, acho esse tema riquíssimo, para aprendizagem.. com inúmeros desafios para quem estuda ou para quem vivencia uma adoção.

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Minha questão hoje é .. Você, ao pensar ou querer adotar uma criança ou adolescente.. está sendo altruísta, bondoso ou quer ser pai e mãe??

Alguns podem até pensar.. bom.. mas para ser pai e mãe é preciso ser bom, se dedicar à criança, doar seu tempo e recursos financeiros etc.

Mas realmente elas não são a mesma coisa!!

Quando você é “BOM” para alguém, naturalmente você espera que esta pessoa seja boa para você.. se você sempre da suporte para aquele amigo nas horas difíceis, ouve, é paciente, liga pra saber como ele está mas, na hora que você mais precisa, ele não está lá, você faz o que ? Se decepciona, diz que ele foi injusto com você… se isso for freqüente, a tendência é você deixar de ser tão amigo dessa pessoa, certo?

Um outro exemplo.. você resolve fazer parte de um voluntariado na comunidade, na igreja ou algo assim.. se sua agenda começa a ficar apertada, se consegue uma promoção ou tem um filho .. a primeira coisa que vc tira da sua agenda é? O trabalho voluntário.. a final .. “Ah .. é bom, mas eu não ganho nada para estar lá”.. claro que sabemos que ganhamos experiência de vida, e gratificação mas ouvimos muitas vezes isso não é mesmo ?

Digamos que você resolve adotar uma criança .. ou pegar aquela criança que a mãe biológica não cuida direito porque tem mais 7.. digamos que você resolve fazer isso porque tem muitas crianças sem casa, sem pai e sem mãe .. e você quer ajudar essas crianças, fazer algo útil na vida.. Pois bem .. essa criança, seja ela adotiva legalmente ou não .. um dia vai crescer, será adolescente, um dia será malcriada, falará palavrões e dirá que os pais dos amigos são muiiito melhores que você É!!!  E então ? Como será .. se você estiver com essa criança/ adolescente porque queria ajudar , o que vai pensar ? como reagirá ? .. ” Nossa… eu fiz tudo por esse menino/menina . e é assim que ele me trata?

– Eu peguei ele daquela mãe louca, dei um lar , comida e educação e agora ele diz que não posso mandar nele?

– Eu fiz tuuudo por ela e agora ela fica andando com esses maloqueiros .. sabia que isso ia dar encrenca..

É pessoal.. são falas comuns no duscurso de quem adota por puro e simplesmtente altruismo mas sem o desejo profundo de ser pai ou mãe ! Por que quem quer ser pai e mãe construi vínculos de uma maneira que não importa o que aconteça, aquela criança.. adolescente, sempre será o FILHO deles.. por isso dizemos que o amor de filiação é um amor incondicional.

Quando se tem pais que se parecem mais com herois, bondosos, a criança fica impedida de expor sua agressividade, sua raiva, sentimentos esse que qualquer ser humano tem. Ficam com medos de não serem “boazinhas” também e serem devolvidas..

TODA CRIANÇA PRECISA PODER EXPRESSAR SUA RAIVA E AGRESSIVIDADE, E TER PAIS QUE TOLEREM ISSO!

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Quando se há o desejo de filiação, os pais conseguem aceitar a raiva da criança, sem deixar de amá-las, sem se sentir traídos por ela, sabendo que muitas vezes toda aquela raiva é pelo medo de ser abandonada novamente, medo de se vincular e perder.

Quando se adota por altruísmo, se espera algo em troca, se espera retorno e quando se deseja ser pai ou pai, o único desejo é ser pai e mãe, é cuidar, é pegar para si aquela pessoa que você ainda não conhece.. seja a filiação biológica, seja adotiva, ter o desejo é essencial para se cuidar de uma criança /adolescente.. querer ajudar só.. não basta!!

Espero que tenham gostado.. deixe seu comentário..sua opinião aqui embaixo.

Um beijo grande..ótima semana e até amanhã

Fonte: http://entrenospsicologos.wix.com/psicologiaentrenos#!ALTRUÍSMO-OU-DESEJO-DE-FILIAÇÃO/c95u/54d017e00cf2cb6524765400

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A naturalidade da adoção

É natural que os casais, a certa altura da vida comum, busquem na gravidez a realização do tornarem-se pais. Com “natural”, quero dizer o comum, o frequente, o socialmente esperado. Tudo à nossa volta conspira para que seja assim. Afinal, todas as nossas convenções culturais nos definem como pais que se constituem enquanto tais pela procriação. Crescemos e vivemos sob a crença tacitamente partilhada de que a gravidez é o processo pelo qual alguém se torna pai ou mãe.

A naturalidade da filiação é assim (socialmente) definida em termos biológicos.

Entretanto, como é sabido, algumas pessoas possuem configurações biológicas que terminam por tornar a gestação uma impossibilidade. A fecundação não chega a ocorrer ou, ainda mais doloroso, a vida intrauterina é abruptamente interrompida. Para muitos, é nesse contexto que surge a opção de se buscar na adoção a realização da filiação tão almejada. E é aí que alguns se deparam com um tipo de mal estar. Paira sobre eles a sensação de que recorrem a uma espécie de “plano b”. Angustiam-se na culpa por buscarem na adoção uma alternativa de “segunda classe”, só cogitada a partir da falência dos planos iniciais em torno da gestação.

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Falo aqui especialmente a estes que vivem essa condição de “limbo paterno/materno”: sofrem o luto por uma expectativa de filho que não chegou a se realizar e, ao mesmo tempo, consideram que este filho talvez possa já existir e estar a um passo de, através da adoção, chegar-lhes aos braços cheios de amor.

Nesse contexto de emoções ambíguas, que oscilam entre a dor e a esperança, o tempo e o diálogo franco são os grandes companheiros. Etapas não devem ser queimadas. O luto cumpre o importantíssimo papel de não transformar esperança em precipitada fuga da realidade. Isso porque é fundamental entendermos que o filho adotivo não deve surgir em substituição ao filho biológico. Todo aquele que (em qualquer contexto) é desejado para ocupar um lugar que é de outro, corre o risco de nunca ter seu próprio lugar, de nunca poder ser quem é, de nunca atender às expectativas que lhes são cruelmente impostas. Então, esse “outro” precisa morrer também na nossa emoção, para que aquele que agora passamos a desejar tenha direito ao seu próprio lugar afetivo nas nossas vidas.

Em que consistirá, então, realmente a naturalidade da filiação?

A esta altura os leitores desta coluna já estão cientes de que o significado da adoção, que aqui anunciamos, é maior do que tão somente a especificidade de determinado tipo legal de constituição familiar. Como temos dito, a adoção é a via de construção da filiação. É um processo relacional e afetivo que ocorre historicamente através do cotidiano. Como processo relacional, ele é uma via de mão dupla, ou seja, pais adotam filhos e filhos adotam pais. É preciso que tal circularidade ocorra para que a relação afetiva se estabeleça. E isso acontece na convivência de modo especial e único para cada família.

Entretanto, essa construção afetiva inicia-se antes mesmo de dar-se o primeiro encontro. Antes ainda de pais e filhos se conhecerem. Ela nasce na expectativa, no crescente desejo que alimenta previamente a predisposição amorosa dos futuros pais. Surge mesmo da necessidade que estes elaboram de terem, junto a si, aqueles a quem devotarão o melhor dos seus amores e cuidados. Surge da necessidade de termos filhos.

É importante entendermos que nem sempre a preferência prévia pela filiação adotiva implica em um olhar natural para a adoção como experiência de filiação. Às vezes, ela surge de um mal entendido, no qual este “sempre quis adotar” é fruto de uma intenção aparentemente caridosa de “salvar crianças”. Eis um grande equívoco! Se quisermos contribuir com o bem estar de menores em situação de risco, podemos nos engajar em inúmeras ações valorosas que existem à nossa volta. É uma bela iniciativa. Mas a paternidade e a maternidade não devem constituir-se numa experiência baseada em troca, do tipo “hoje eu salvo você, amanhã você me salva”. O amor de pai e mãe é um amor que nutre tão somente a expectativa de que os filhos sejam felizes.

Portanto, a construção da filiação adotiva como uma alternativa à gestação não faz da adoção uma escolha menor. Na realidade, respeitado o tempo do luto, tal decisão revela o entendimento maduro de que a naturalidade da filiação ocorre no afeto, ou seja, na adoção! Quem se torna pai ou mãe pela adoção deseja simplesmente ser pai ou mãe, e entende que a adoção é um meio legítimo de realizar este seu desejo.

Meus filhos são meus filhos façam o que façam, sejam o que sejam. E assim o são somente porque eles e eu assim o desejamos e assim o fizemos ser. Isso é adoção. Natural assim!

Atitude adotivaGuilherme Lima Moura é pai adotivo, integrante do Gead (Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife) e professor da UFPE. glmoura@gma

Fonte: http://ne10.uol.com.br/coluna/atitude-adotiva/noticia/2012/06/11/a-naturalidade-da-adocao-347896.php