Adoção – poema de Teresa Drummond

ADOÇÃO
Teresa Drummond

Quando o coração reclama
o silêncio omisso
equilibrista
e na corda bamba grita
o desassossego…

Quando o coração aflito
se liberta de medos
e em seu espírito urge
o aconchego…

Quando o coração se surpreende
convexo, pleno, sem fronteira
e desponta o seio
da maternidade…

O coração desarma
o mito
e se faz ventre
diante do berço.

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Pai e filho Foto: Paula Roselini

Conversando sobre adoção: como contar.

Impossível falar sobre adoção sem pensar em como e quando conversar com seu filho sobre isso. Arrisco a dizer que, talvez, esse seja o maior medo dos pais. Ainda é um tema tabu e gera muita insegurança. Como contar? Quando contar?

Primeiramente é importante ressaltar que cada criança é única e cada família tem sua forma e seu tempo de lidar com essa questão, mas de um modo geral a questão da adoção deve falada desde sempre. Desde a chegada do filho, independente da idade que ele tenha. Na medida que a criança for crescendo ela irá começar a compreender o que quer dizer tudo aquilo que ela já estava acostumada a ouvir. É uma forma de ir familiarizando a criança com tema e ir tranquilizando os pais para quando chegar um momento de maiores explicações.

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O diálogo aberto sobre adoção e sobre a história da criança deve existir desde sempre. Desde cedo é importante que a criança perceba que não há segredos, que os pais não mudam de comportamento quando determinado assunto aparece, que eles não se constrangem com perguntas de estranhos, e assim por diante. A criança pequena pode não compreender o conteúdo, mas percebe muito bem as alterações de comportamento dos pais e familiares. Por isso, é fundamental que os pais se sintam emocionalmente seguros para lidar com esse assunto desde cedo ao invés de ir se preparando para o momento da revelação. Aliás, esse é um momento que não deve existir. Aquele momento de tensão onde os pais chamam os filhos para dar uma grave notícia deve existir somente nas novelas. O ideal é que a “revelação” seja natural e gradativa conforme o crescimento da criança.

Vá falando sobre o assunto aos poucos e com uma linguagem adequada para cada faixa etária. Acompanhe a curiosidade natural de seu filho. Ele mesmo irá indicar, através de suas perguntas, o que está pronto para ouvir. Na medida em que ele for se desenvolvendo as perguntas e respostas irão ganhar mais detalhes e conteúdos. Estar aberto para qualquer dúvida que possa surgir é fundamental, bem como acolher qualquer sentimento que possa aparecer conforme as informações vão sendo dadas.

Outro ponto importante ao conversar com as crianças sobre adoção é o respeito com sua história passada. Os pais não devem negar nenhuma informação, mas também não dar nenhum dado além do que o filho está realmente perguntando. Quanto mais natural for a conversa, mais tranquilo será para todos. Na verdade as conversas, pois esse tema surgirá muitas e muitas vezes ao longo do desenvolvimento da criança. A criança precisa da repetição para assimilar o conteúdo que está sendo dito.

Um recurso bastante interessante para esses momentos são os livros e filmes. Claro, sempre adequado para a idade da criança. Quando a criança vai compreendendo a histórinha ela vai se reconhecendo e fica mais fácil de entender a sua própria história. Ao ver que acontece com “os outros” a questão se torna natural e mais fácil de ser compreendida. No site: portaldaadocao.com.br tem indicações de diversos livros com esse tema.

Como disse lá no início, cada família irá encontrar o seu momento e sua forma de abordar a adoção, mas lembre-se de que quanto mais gradativo e natural mais fácil é para todos. Espero ter ajudado com um tema tão profundo e que ainda geram muitas dúvidas.

Até a próxima!

Lívia Oliveira
Psicóloga: CRP 07/18713

http://gravidezinvisivel.com/psicologia-e-adocao/

O chá da verdade!

Gente, achei um relato lindo no blog Em nome do Filho. Foi postado pela Jumaida Maria Rosito. Vale a pena ler! Beijos Lu.


E agora? Como é que eu conto prá essa criança que ela não saiu da minha barriga? Que dó feri-la assim tão cedo. Pode, então, um pensamentozinho matreiro se apresentar como salvador  – e se a gente não contar? Acredito que amaioria dos pais rejeita esse alento, para não se tornar refém de um segredo. Uma parcela deles, empurra o desconforto com a barriga, se protege das críticas e, com uma carranca e um tom de discurso que lembra a certeza inabalável, alega conhecer a hora certa (bem mais tarde, claro).

Faço parte do grupo que acredita que a hora certa de contar é desde sempre. A primeira coisa que intui quando meus filhos chegaram (tres deles juntos) foi a necessidade de trazê-los para dentro de mim, que é um parto ao contrário, para me tornar sua mãe. A maneira que achei de fazer isso foi ignorar os berços, desmontar minha cama, forrar o chão de colchões e, para horror dos manuais, dormir com eles, assim, todos meio amontoados, como bichinhos que se procuram, se encostam, se roçam, se catam e passam a ter, finalmente, o mesmo cheiro.

E foi acampada no quarto que comecei a criar sua história. Falei em um céu com anjos-criança, que passavam o dia moldando nuvens comestíveis e criando brinquedos do nada; enfeitei mais ao falar de suas roupas, da cor de seus cabelos e de como eram bem cuidados. Contei que em sonhos, pais que não podiam ter filhos visitavam aquele céu, e expressavam ali seu desejo, assim como eu fiz – nesse ponto, começava a inocular a dose necessária de realidade e meu coração doía, constrito. É claro que meus bebês não compreendiam o que eu falava, mas me escutavam e adormeciam todas as noites, tomando o chá-da-verdade adoçado com mel–de-zelo-de-mãe, em conta-gotas.

Parece que minha estratégia deu certo, eles cresceram bem resolvidos sobre esse assunto. Algumas vezes, mais tarde, achei necessário dar um reforço, como acontece com as vacinas; um deles, aos oito anos, se declarou herdeiro da fissura de sua avó por café com leite – avó que ele não conheceu! O que é isso, a genética do café com leite? “Não filho, lembra, você não saiu da minha barriga, não pode herdar da minha mãe qualquer mania.“, para horror da psicóloga aflita que me repreendeu: “Não exagera, Jumaida, deve falar a verdade, mas também não precisa esfregá-la na cara das crianças!”.

Vinte anos depois, que fantasmas rondam essas cabecinhas? mas, para não ser “mais realista que o rei” (a pedidos!), não cutuco, aguardo. Estou aqui para ajudá-los a revisitar sua trajetória, se e quando quiserem. Ah! curiosamente, bem mais tarde, encontrei um livro incrível: “Mamãe, por que não nasci da sua barriga?”. Não é que estavam ali os mesmos elementos da minha história – anjos, céu, nuvens, barrigas emprestadas, gente que se procura! Concluí, então, que existe uma espécie de inconsciente coletivo no universo dos aflitos pais adotivos.

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/emnomedofilho/2014/07/19/o-cha-da-verdade/?topo=52,1,1,,165,77

Apoio à Casa Lar Luz do Caminho

Amigos da adoção,

Há tempos estávamos procurando uma instituição de acolhimento de crianças que pudéssemos apoiar diretamente. Recebemos a indicação da Casa Lar Luz do Caminho que fica localizada em Florianópolis-SC. Nosso primeiro contato com eles foi por telefone, conversei com o fundador e presidente da ONG, Maurício Aurélio dos Santos, que foi muito receptivo e agendou conosco um horário para que pudéssemos entregar as doações e conhecer o local.

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Estávamos um pouco ansiosos pois seria a primeira vez que visitaríamos um “abrigo”. Tínhamos receio dos sentimentos que viriam à tona. Sabíamos que não estávamos indo lá para conhecer o nosso filho, mas a ideia de ir até lá e ver de perto a realidade de crianças que vivem em acolhimento parecia intimidadora, afinal passa pela cabeça que o nosso filho pode já ter nascido e vivendo em uma instituição de acolhimento também. Porém, sabíamos da importância de ir até lá para que pudéssemos conhecer o local e os projetos. Chegando lá, fomos recepcionados pela Assistente Social e pelo presidente Maurício. Ele nos apresentou a estrutura e os projetos desenvolvidos pela ONG para o bem-estar das crianças que “vivem” um período de suas vidas ali. Ficamos muito impressionados com a organização, limpeza, estrutura e cuidado com que tudo é realizado. Tínhamos outra ideia de uma casa de acolhimento, mas apesar de todo cuidado e carinho com que eles realizam as suas atividades, não consegui deixar de pensar naquelas crianças que estão ali sem o abraço e carinho de mãe, de pai e família extensa. Meu desejo era de abraçar cada uma e transmitir amor de mãe pra cada um deles. Confesso que percebi que eu não tenho perfil para trabalhar como assistente social, psicóloga ou voluntária pois eu não saberia separar o trabalho do sentimento materno. Admiro ainda mais o trabalho destes profissionais.

A Casa Lar Luz do Caminho é uma associação de caráter filantrópico, sem fins econômicos, voltada para a assistência social e tendo como objetivo acolher crianças de ambos os sexos, de zero a cinco anos de idade, que tendo seus direitos violados e necessitam do acolhimento institucional, segundo determinação judicial. Conheça a história da ONG aqui e sobre os projetos desenvolvidos aqui. Acesse também o Relatório Social da ONG. Link da fanpage no facebook.

Existem várias maneiras de contribuir com a Casa Lar Luz do Caminho para que eles possam continuar desenvolvendo este trabalho:

– Voluntariado: 

Para desenvolver atividades voluntárias na Casa Lar Luz do Caminho você precisa passar primeiramente pelo Curso de Formação de Cuidados com Criança Pequenas, oferecido periodicamente pela própria entidade e destinado a todos os voluntários, tanto os que já desenvolvem atividades na Casa Lar como aqueles interessados a dar início ao trabalho voluntário.

Portanto, você pode entrar em contato conosco por meio do e-mail casalarluzdocaminho@gmail.com ou pelo telefone (48) 3206-9519, demonstrar seu interesse pelo trabalho voluntário e a equipe da Casa Lar lhe informará a data do próximo Curso de Formação e adicionará seu nome na lista de inscritos.

O Curso de Formação acontece nas dependências da Casa Lar Luz do Caminho, com data predefinida, sendo normalmente em um sábado. Após passar pelo Curso de Formação você poderá fazer trabalho voluntário na Casa Lar Luz do Caminho desenvolvendo atividades administrativas, colaborando com a cozinha e com a limpeza da casa, fazendo parte dos mutirões e auxiliando as cuidadoras no berçário.

– Associados:

Um associado é um amigo da Casa Lar Luz do Caminho que contribui mensalmente com valor fixo, por meio de boleto emitido pela CEF pago na rede bancária ou nas casas lotéricas ou transferência programada a partir de R$: 30,00. Para ser um associado da Casa Lar Luz do Caminho.

É preciso preencher a ficha de inscrição que você pode solicitar através do email:

casalarluzdocaminho@gmail.com

– Doações esporádicas:

Contribua a qualquer momento durante o ano todo com a Casa Lar Luz do Caminho, por meio de doações de produtos, como leite especial para o desenvolvimento infantil, fraldas (tamanhos RN, P, M, G, XG), lenços umedecidos, gaze, algodão, produtos de higiene, materiais de limpeza e alimentos em geral. Além disso, a sua contribuição pode ocorrer via depósito bancário na conta da Casa Lar Luz do Caminho.

Caixa Econômica Federal

Agência: 1638

Operação: 003 Conta

Corrente: 1263-3

CNPJ: 12.187.675/0001-70

preencher e reenviar pelo mesmo endereço.

A entidade expedirá um boleto e lhe enviará pelos correios ou por e-mail.

– Destine parte do seu Imposto de Renda:

Outra forma de contribuir com a Casa Lar Luz do Caminho é destinar uma porcentagem do seu Imposto de Renda – tanto Pessoas Físicas quanto Pessoas Jurídicas – por meio do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA/FMDCA), que no município de Florianópolis possui o nome fantasia de Floricriança.

O Fundo para Infância e Adolescência (FIA) é um Fundo para captação de recursos destinado ao atendimento exclusivo dos direitos das crianças e adolescentes, por meio de políticas, programas, projetos e ações. Os recursos do FIA provém de destinações de pessoas físicas e jurídicas, através de deduções do Imposto de Renda.

A pessoa física pode destinar 6% do Imposto de Renda por meio do FIA para a Casa Lar Luz do Caminho até o dia 30 de dezembro (ou último dia bancário do ano) ou 3% do Imposto de Renda até o dia 30 de abril. A destinação desses valores pode ocorrer tanto por pessoas físicas que tem Imposto de Renda a restituir, quanto por pessoas físicas que tem Imposto de Renda a pagar.

PARA FAZER A DESTINAÇÃO DO SEU IMPOSTO DE RENDA É NECESSÁRIO SEGUIR OS PRÓXIMOS PASSOS:

O CNPJ do Fundo da Infância e Adolescência é: 18.798.340001-75

Você vai precisar dele para a declaração de rendimentos.

Primeiramente você precisa fazer o depósito identificado no Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

FUNDO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Banco do Brasil Agência: 3582-3 Conta Corrente: 9545-1

O sistema vai pedir o identificador, você deve colocar seu CPF ou CNPJ.

Envie o comprovante do depósito, juntamente com seu nome, nº. do CPF, endereço e telefone para o e-mail da Casa Lar Luz do Caminho:

casalarluzdocaminho@gmail.com ou pelos correios para o  nosso endereço.

Depois de recebido o comprovante de depósito, a Casa Lar Luz do Caminho entrará em contato com o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente para informar e comprovar o depósito realizado para a Casa Lar.

Em seguida, encaminharemos para você o Recibo do valor depositado, o qual será utilizado na sua dedução do Imposto de Renda.

A Casa Lar Luz do Caminho empregará esse recurso no atendimento às crianças acolhidas.

– Mutirões:

Aqui na nossa Casa, sempre precisamos de ajuda nos afazeres domésticos e é por isso que nós organizamos sempre no primeiro sábado de cada mês para receber pessoas que se dispõe a nos ajudar nos nossos mutirões.

São feitos muitos trabalhos, como limpeza, organização, reparos, construções, ajuda com na cozinha e pra quem fez o curso de voluntários ainda podem ajudar cuidando das crianças.

Venha participar conosco, lembre-se todo primeiro sábado do mês das 09:00 as 17:00hs, pode chegar a hora que der e fica até a hora que puder.

Mais informações sobre as doações!!

Quem puder ajudar, pode entrar em contato conosco pelo email luciane@gravidezinvisivel.com ou direto com a ONG.

Com certeza qualquer tipo de ajuda será bem-vinda!

Grande beijo,

Luciane & Filipe

Participação no blog Indiretas Maternas: Gente que esclarece – PRÉ-NATAL DA ADOÇÃO

Queridos,

Mais uma participação no blog Indiretas Maternas na coluna Gente que esclarece:

“A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-NATAL DA ADOÇÃO”

Leia na íntegra: http://www.indiretasmaternas.com.br/gente-que-esclarece/importancia-pre-natal-da-adocao/

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Agradecimento especial à Barbara pelo espaço e carinho.

Beijos, Lu

Enjôos da gestação do ♥

Esta semana comecei a sentir os enjôos da minha segunda gestação do coração. Na minha primeira gestação do coração estes enjôos começaram “coincidentemente” 9 meses antes do meu primeiro filho nascer. (Constatei isso relendo o meu diário, leia este post neste link).

Para alguns pode parecer bobagem, estranho ou até mesmo loucura, mas o fato é que quando estamos numa gestação do coração os “enjôos” também acontecem, só que de uma forma diferente. Eles aparecem na forma de A-N-S-I-E-D-A-D-E. A ansiedade é tão grande que me deixa enjoada e até mesmo um pouco tonta. Preciso me concentrar na minha respiração e controlar as emoções que estão fluindo no momento para que o enjôo passe. E muita oração….!

Segundo o dicionário Aurélio, ansiedade significa:

1 Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não.
2 Sofrimento de quem espera o que é certo vir; impaciência.

Já o significado de enjôo é:

1 Mal-estar em que predomina a vontade de vomitar.
2 Náusea.
3 Tédio, repugnância; nojo.

Ou seja, esta comoção aflitiva do espírito que receia que o nosso filho chegue logo, gera impaciência, que por sua vez gera mal-estar e até mesmo náusea. Sim! É isso mesmo que eventualmente acontece comigo durante a gestação do coração.  Mais alguém passou por isso? Tem um trecho de uma música do Lulu Santos que cabe perfeitamente aqui, “Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então…” 

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Pior é quando imaginamos que nosso filho já nasceu e está por aí em alguma instituição de acolhimento, aguardando que a equipe técnica faça a busca por alguém da família extensa (biológica) tenha interesse na adoção, ou então aguardando que o seu processo de destituição de pátrio poder dos genitores seja concluído… é muita angústia pra uma mãe ou um pai ficar pensando nestas situações e não conseguir fazer NADA afinal ainda não encontramos pessoalmente o nosso filho, não sabemos a sua identidade e não podemos lutar por ele para que o seu DIREITO DE VIVER EM FAMÍLIA COM AMOR E CARINHO seja prioridade.

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Enfim, os enjôos são mais reais do que parecem, viu?! Não julgue o seu cônjuge, amigo (a), vizinho (a) antes de entender o que se passa dentro do seu coração. Você também passou por isso? Então compartilha com a gente, assim você me ajuda a explicar esta experiência para os outros, além de me ajudar a não ser a única que relata algo assim, podendo até mesmo ser considerada a louca dos devaneios virtuais 🙂 🙂 🙂

Encerro este relato com muito humor 🙂 e amor

Beijos, Luciane