Depoimento da Fabiana: A história da minha família colorida

Queridos que depoimento mais lindo da Fabiana sobre a sua família.

Tenho certeza que vocês vão se emocionar (assim como eu…!). Beijos Lu


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Vitinho e Alex

A história da nossa família se completou com a chegada do Vitinho Bombom, como era conhecido meu neném no abrigo.
Eu e meu esposo Marcio pensávamos em ter apenas um filho. Tivemos um bebê em 2005, Alex, nosso filho biológico.
Quando Alex tinha 4 anos, resolvemos que queríamos o segundo, mas nas três vezes que tentei engravidar sofri aborto por causas diferentes. O médico sugeriu inseminação, pois, segundo ele, no meu caso, o procedimento tinha grande possibilidade de sucesso. No entanto, não era raro ocorrer mais de um aborto antes de conseguirmos, ou mesmo termos trigêmeos ou gêmeos, algo fora de nossos planos.
Pensamos muito e decidimos que era um absurdo passarmos por tudo isso, já que o que queríamos era um filho e não exatamente a gestação. E o filho poderia vir de qualquer lugar.
Temos amigos que são filhos adotivos, temos primos que são filhos adotivos, e em todos esses casos, a adoção ocorreu de maneira tranquila, sem traumas e até hoje todos estão vivos e felizes (risos).
Pensamos nos filhos de nossos amigos e o quanto gostamos daquelas crianças, simplesmente porque os conhecemos e convivemos com eles, ou seja, eles não tem nosso sangue, nosso DNA, e mesmo assim, se preciso fosse, ficaríamos e criaríamos aquelas crianças como se tivessem nascido de nós.
E se gostamos tanto daquelas crianças, mesmo elas não sendo nossos filhos, porque não iríamos gostar e amar alguém da mesma forma ou mais, por meio da adoção?
O segundo passo foi: como a criança seria? Sim, pois a gente tem que pensar bem nisso. Tem que analisar se temos algum tipo de preconceito entre o casal ou na família. Quem tem a cabeça toda cheia de medos a esse respeito, é bom repensar a adoção e trabalhar bem isso antes de tomar uma decisão. Afinal: FILHO É PRA VIDA TODA.
Sempre tive em mente que gente é gente. Não importa se é homem, mulher, gordo, magro, branco, amarelo, preto ou lilás.
Conversei com meu esposo, que é neto de japoneses. Na família dele só tem eu de brasileira e branca e mais três pessoas (dois rapazes e uma moça brasileiros e brancos) que se casaram com os primos dele. Só. O restante da família é de descendente de japoneses.
Enfim, conversei com meu esposo sobre a possibilidade de sermos pais de uma criança muito diferente fisicamente de nós. Ele nem questionou nada, simplesmente disse que só queria UM FILHO a mais. Só isso. Que a nossa família estava muito pequena e queria mais um “molequinho” para animar a casa ou uma menina para enchermos das frescuras que toda mãe enche.
Por parte da minha família somos todos misturados. Tenho primos loiros, morenos, mulatos e também mestiços de japonês. Enfim, é uma salada. Portanto, com essa galera, eu nem precisava me preocupar se iria haver ou não aceitação de um novo membro que pudesse ser loiro, negro, mulato, indígena, hindu… Para falar a verdade, eu não me importei muito em saber a opinião de ninguém. A única opinião que importava era do futuro pai.
A possibilidade de ter um membro negro, ou mulato, ou mesmo indígena na família de meu esposo causou estranheza em algumas pessoas de lá. No entanto, as irmãs de meu esposo amaram a ideia não se importando em nada com a aparência do meu futuro filho. Quando comunicamos nossa decisão de adotar, o pessoal já começou a enviar fotos de bebês de todos os jeitos e peles de todas as cores para me animar ainda mais.
Mas digo que não determinamos uma criança negra, ao contrário, pois também seria preconceito definir a cor da pele do meu filho desse jeito. Deixamos a cor da pele em aberto no formulário de adoção, pois para nós não importava.
Passamos por todas as fases do processo de adoção, entrevistas, visitas à nossa casa, conferência dos documentos etc. Todo o processo de habilitação durou 12 meses.
Enfim, fomos habilitados. Agora estávamos oficialmente na fila.
Seis meses após a habilitação, toca o meu telefone. Eu estava no trabalho. A assistente social começou perguntando se eu ainda queria um bebê. Se eu ainda queria estar na fila de adoção.
Lógico que a gente ainda queria uma criança! Ela descreveu meu filho: “Fabiana, temos aqui em um dos abrigos da zona leste, um menino de 9 meses, que foi deixado pela mãe biológica assim que nasceu em um hospital de São Paulo. Tentamos localizar a família, mas até agora nada. O processo de destituição do pátrio poder já está em vias de ser finalizado, e a criança liberada para adoção. Ele é grande, forte, saudável e…..ele é negro.”
Respondi: “Eu quero ele, eu quero ele, é meu filho!” A assistente social repetiu: “Ele é negro, Fabi.”. Respondi:”Tá, eu já entendi. Quando posso vê-lo?” Ela reforçou:” É que ele é bem pretinho mesmo, não é moreno, ele é negro negro.”
Juro que na hora tive vontade de ter uma crise de riso, pois a reação da assistente social foi meio estranha.
Perguntei a ela porquê estava enfatizando tanto a cor da pele do menino, quer dizer, do meu filho. E daí? Para minha surpresa – eu julguei mal a assistente social -, ela respondeu que na maioria dos casos, o casal preenche o formulário pedindo uma criança independente de cor da pele. No entanto, na hora de conhecer a criança, costumam dizer que ela é “moreninha demais” e pensavam que fosse mais clara. A criança se decepciona se é devolvida; às vezes o casal nem quer ir no abrigo para conhecer; ou vai, pega a criança no colo, examina e devolve.
Meu queixo caiu. Não sabia que tinha gente assim. Logo respondi para a assistente que não era nosso caso. A gente queria ver o bebê. Eu já estava imaginando ser a mãe do próximo Denzel Washington, do próximo Thiaguinho, enfim; ficava imaginando já antes de conhecer, como seria o rostinho dele. Coisas que toda mãe imagina quando está grávida.
Ao chegarmos no fórum mostraram a foto da minha pecinha rara: sentado no cadeirão, bochechas gigantes, mãos enormes e OLHOS PUXADOS. Pois é. O moleque tem os olhos mais puxados do que meu filho biológico. Vai entender. Achei engraçado isso. No começo a gente procura pontos em comum com a criança. Mas depois percebe que não tem nada a ver. Que é doideira mesmo.
Fomos rapidinho para o abrigo e o responsável pelo local nos apresentou nosso anjo. De macacãozinho jeans, tênis, e um sorriso de canto a canto. Sorriso mais largo e sincero que já vi em toda minha vida. Sorriso mais lindo que uma constelação inteira. Sorriso do meu filho. Do meu caçula. Daquele que será eternamente bebê para mim. Mais lindo que Denzel, mais lindo que Thiaguinho, mais lindo porque é meu filho.
Durante quatro dias ficamos com Vítor duas horas diárias até ele se acostumar conosco. Trazíamos para casa e depois o deixávamos de novo no abrigo. Ele ia se soltando aos poucos. O amor foi se construindo entre nós aos poucos também. A cada troca de fraldas, a cada sorriso, a cada babada. Cada vez que tinha uma febrinha ou que cuspia a comida. Na hora do banho, na bagunça de jogar água pelo banheiro.

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Era um feriado prolongado. Feriado de Nossa Senhora.
No quinto dia, dia útil, ele veio definitivamente para nossa casa.
Foi uma correria esses cinco dias: montando berço, comprando fraldas, lavando as roupas guardadas “herdadas” do irmão mais velho e dos primos, porque a gente não ia ter condição de montar todo o enxoval de uma hora para outra.
Meus pais, minha avó e minha tia caçula vieram logo no primeiro dia que ele nos visitou (adaptação). Passou no colo de todo mundo. Foi uma alegria muito grande. Meu filho mais velho, de tão nervoso, na hora em que chegamos, não conseguia abrir a porta da sala, porque tremia muito.
Fomos comunicando a família aos poucos. A família do meu pai, muito numerosa, pediu para a gente levar o bebê até a casa da minha avó paterna. Minha avó paterna, a bisa Deth, como ele chama, deu nele um abraço tão gostoso que deu até ciúmes. Minhas primas e minhas tias ficaram doidas com a simpatia dele. Todo mundo ligou, mandou mensagem no facebook de felicitações, enfim, todos ficaram felizes. Minha família por parte de mãe veio até em casa e encheram ele de beijinhos e carinho.

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A tia caçula de meu esposo, sempre exagerada na generosidade com os sobrinhos, encheu de presentes e afagos. O mesmo ocorreu em relação ao esposo dela, nosso tio caçula. Todo orgulhoso com mais um sobrinho neto no colo.
Minhas cunhadas (irmãs de meu esposo) ficaram felizes demais e, como moram em outro Estado, demoraram um pouco mais para conhecê-lo pessoalmente.
Meus sogros, devo confessar, no começo estranharam. Eles são de outra geração. De uma geração que não admitia “misturar” as raças. Foram criados dessa forma, mas isso iria mudar em muito, muito breve.

Família Nakaya

Família Nakaya

Uma semana depois que o Vitor já estava em casa, eles o conheceram. Meu esposo foi firme em dizer que era nosso filho e ponto final. Igual ao mais velho. Sem diferença nenhuma. Nessa ocasião, minha cunhada caçula já estava em São Paulo hospedada na casa dos pais e também conheceu nosso pequeno, eu acho que ela ajudou muito nessa adaptação entre eles e sou muito grata às minhas cunhadas por isso.
O bebê abriu um sorriso largo, babou em todo mundo, porque os dentes estavam apontando, e se mostrou ultra receptivo com os avós. “Quebrou as pernas” de qualquer preconceito.
Depois disso, meu sogro agora diz que o menino se chama Vitor por causa dele (o apelido do meu sogro é Vitório) e que ele é um NAKAYA. E diz isso engrossando a voz, para demonstrar que o menino é “macho” igual ao avô. Pois é…coisas do tempo antigo.
Meu sogro, principalmente, anda na rua com meu filho como se fosse um trofeuzinho, pois o Vitor é alto, forte e, lógico, o menino mais lindo do mundo, mais inteligente, mais cheiroso, mais esperto, e por aí vai todo sonho do avô, pois, para ele, o Vitor não tem defeitos.
Meu pai acha que o Vitor torce pro Santos, e que vai jogar melhor que o Neymar.
Minha mãe acha que ele vai ser artista, porque é bonito demais.

Vitor_016
Minha sogra calcula que ele vai ter mais de dois metros, porque é praticamente um gigante.
Meu filho mais velho acha que ele vai dar trabalho e que vai infernizá-lo por toda a vida.
Meu marido viaja na maionese, imaginando o futuro Policial Federal manchete do Jornal Nacional.

Praticamente um herói, invejado pelos homens e desejado pelas mulheres.
Eu também tenho cá meus sonhos, ah, vai…toda mãe tem!

Abraços,
Fabiana Nakaya

Depoimento da Germana: “Ele é meu, um presente de Deus e sempre será! “

Queridos, olha que depoimento lindo da Germana:

Ontem foi o aniversário do meu pequeno de 3 anos e vou colocar aqui o texto que li na hora dos parabéns:

Adoção, plano B? Eu diria que os planos de Deus, que são maiores que os nossos. Muitos perguntaram: – era um vazio e vocês preencheram? Dizemos que não, afinal esse vazio já estava preenchido com Cristo. Outros perguntaram: e quando você terá o seu? Eu respondo: – Ele é meu, um presente de Deus e sempre será! E por final me dizem que vem “coisas” no sangue. Te dizemos: o único sangue que importa é o que foi derramado na cruz por mim e por você, que nos redimiu e nos lavou, que nos amou e se entregou por nós.

Obrigada Jesus pelo nosso presente chamado Diego.

Aniver do Diego

Aniver do Diego

Muita festa pra esse príncipe!

Muita festa pra esse príncipe!

Germana e sua família

Germana e sua família

Vídeo: Adoção Tardia, Período de Adaptação

Queridos,

Compartilho com vocês o 2º vídeo do trabalho de conclusão da leitora Simone Uriartt sobre Adoção Tardia. Ela é formanda do curso de Design Visual da UFRGS.

Pra quem não viu o 1º vídeo, segue o link: http://gravidezinvisivel.com/2014/12/05/video-adocao-tardia-afeto-nao-tem-idade-por-simone-uriartt/

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Quem quiser apoiar o trabalho, o email para contato é suriartt@gmail.com. Linda iniciativa!! Vale a pena assistir!!! Beijos, Lu


Segue abaixo informações sobre do trabalho:

O objetivo do canal “Adoção Tardia, afeto não tem idade” é desmistificar a adoção tardia, promovendo os benefícios afetivos decorrentes da filiação adotiva.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=lG8xEY1sqlg&feature=youtu.be

Sou formanda do curso de Design Visual da UFRGS e filha por adoção desde os três anos de idade, e minha motivação é ajudar a garantir o direito de toda criança a se desenvolver em um ambiente familiar. Ademais, ter uma postura pró-ativa em relação ao que ocorre a nossa volta e utilizar o conhecimento para melhorar a qualidade de vida, contribui para salientar a responsabilidade social que deve fazer parte da formação de todo profissional. Uma vez que o contexto atual do Brasil ainda apresenta muitos problemas sociais para serem resolvidos, existe espaço para a colaboração de profissionais de diferentes áreas, inclusive o designer. A frase “É impossível ser feliz sozinho” de Tom Jobim transmite minha dedicação por esse projeto, pois desejo que todas as crianças institucionalizadas tenham as mesmas oportunidades que eu tive na vida.

Para o desenvolvimento desse projeto, participei desde março do Grupo de Apoio à Adoção organizado pelo Instituto Amigos de Lucas de Porto Alegre. Nas reuniões foi possível identificar os principais desafios enfrentados, e com base nessa imersão em contexto foi possível definir qual conteúdo seria abordado e qual seria a melhor mídia e forma de divulgação para sensibilizar os pretendentes à adoção.

Adoção é a união de interesses. O sonho de adultos em formar, ou ampliar, uma família une-se ao direito da criança e do adolescente, destituídos da família biológica, de crescerem em um ambiente familiar. Atualmente, segundo o Conselho Nacional de Justiça, existem no Brasil 28.151 pretendentes para 5.281 crianças e adolescentes aptos à adoção*. O motivo para tal descompasso deve-se às exigências dos pretendentes em relação a criança desejada, sendo a faixa etária um dos maiores limitantes das chances de adoção.
Além disso, o Acolhimento Institucional é uma alternativa de caráter provisório e excepcional (por lei não deve exceder a dois anos de duração) de proteção da criança e do adolescente, aplicável depois que diferentes formas de auxílio tenham sido oferecidas a famílias em estado de vulnerabilidade. Entretanto, muitas crianças e adolescentes enfrentam uma espera superior a dois anos, e quanto mais tempo aguardarem, menores serão as chances de serem inseridos em uma nova família. O Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária promulgado em 2006 estimou que um ano numa situação de acolhimento significa um prejuízo de quatro meses no processo de desenvolvimento de uma criança.

Gostaria que o canal tivesse continuidade com a produção de mais episódios e estou em busca de interessados em apoiar o projeto. Contato: suriartt@gmail.com

Professora Orientadora: Maria do Carmo Curtis
Ilustração: Mariana Yatsuda Ikuta

*Dados de 2012

Simone Uriartt

Design Visual | UFRGS

Como gerar mais coragem

Hello gente!!

Esses dias recebi um email da Paula Abreu com esse assunto: “Como gerar mais coragem”.

E olha que linda a mensagem…. essa é pra pensar!!! … e gerar mais coragem 🙂

Ou você vai deixar o medo te impedir de viver a sua vida dos sonhos?

Beijos, Lu


Luciane,


Em julho de 2008, fui habilitada para adoção de duas crianças de sexo, idade e raça indiferentes, com até sete anos de idade. Como podia engravidar, não fazia questão de um bebê e tinha certeza de que o Fórum nunca me entregaria um.

No dia da minha habilitação, a psicóloga do Fórum me ligou para dar os parabéns e me deu uma previsão de espera de dois anos e meio para a adoção. Corta para quinze dias depois. Quinze. Estou no meu trabalho e, por volta de duas da tarde, recebo uma ligação. É a assistente social:

  • Oi Paula, temos um bebê de menos de um mês disponível para adoção, você quer conhecê-lo?

    Três horas depois, eu tinha um filho de 20 dias.Meu filho veio pra casa com a roupa do corpo, sem sequer uma chupeta ou mamadeira. Como eu não esperava um bebê, não tinha absolutamente nada. O que as mães biológicas normalmente têm nove meses para planejar, comprar e preparar, eu tive que resolver em uma hora.

    Na época, um monte de gente me falou: “Nossa, você é muito corajosa!” (que, aliás, é a mesma coisa que eu escuto hoje sobre ter largado tudo e mudado de vida).

    Mas agora vou contar um segredo pra vocês: eu MORRI de medo.

    Adotar um filho me ensinou que coragem não é a ausência de medo, mas sim a força que te move a agir mesmo assim. É saber que tem outra coisa ainda mais importante que o medo.

    Muitas vezes, diante do medo, a gente dá um passo atrás e desiste daquilo que a gente quer. Muitas dessas vezes, nem nos damos conta do tipo de exemplo que estamos dando, também, para os nossos filhos.

    Por que será que isso acontece? E como combater esse medo?

    Essas e outras questões eu respondo no segundo vídeo do mini-curso sobre como escolher uma vida nova e melhor. Para assistir, clica aqui.

    Ou você vai deixar o medo te impedir de viver a sua vida dos sonhos?

    www.escolhasuavida.com.br/pesv/como-gerar-mais-coragem

    Com amor, Paula

    Autora, Escolha Sua Vida, Paixão: Modo de Usar, A Aventura da Adoção, Primavera Eterna, Fundadora, Programa Escolha Sua Vida

Como Fui Escolhida – Uma História de Adoção Tardia

Gente, a história da Romilda é linda demais!!!! Li o testemunho dela em outro blog, entrei em contato por email e ela autorizou a publicação aqui no blog. Que história linda, imperdível!!! 

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“Em minha história de vida existiram muitas perdas e começaram precocemente, porém contribuíram para minha formação e fortalecimento.

Nasci na cidade de Cachoeirinha/RS, aos meus dois anos de vida meu pai biológico faleceu. Tenho poucas lembranças dele, mas uma vívida em minha mente é de cavalgarmos, ele me segurava de forma muito afetiva e protetora.

Já minha mãe biológica faleceu na minha presença, quando eu tinha apenas sete anos de idade. A partir deste dia minha vida mudou, pois minha irmã mais velha e eu fomos morar em outra cidade com um casal de conhecidos.

Porém, mesmo antes de eu nascer, Deus já tinha tudo planejado… recém-casada, “minha irmã do coração”, foi viver em uma cidade próxima àquela na qual eu estava. Seu esposo acabou conhecendo minha história e dividiu com ela, que por sua vez ligou para São Paulo e contou à mãe. Minha, então futura, mãe estava triste, pois já que sua filha primogênita acabara de se casar e mudara para o Rio Grade do Sul. Ouviu a história atentamente e, segundo ela, bastante comovida fez apenas uma pergunta: “Ela não tem mais ninguém? Se não tiver e ela quiser vou buscá-la”.

Minha futura irmã então me contou de São Paulo e perguntou se gostaria de “ter uma nova família”. Confesso que fiquei dividida, ora era uma oportunidade incrível, mas eu não queria ficar longe de minha irmã biológica. Conversei com ela que me convenceu das vantagens de ter uma nova família, e foi assim que eu aceitei… mesmo com medo.

Logo, minha nova mãe foi me conhecer e me buscar. Podemos dizer que foi “amor à primeira vista”, aquele olhar meigo e terno e o sorriso dócil me cativaram.

Chegando a São Paulo conheci meu novo pai e meu novo irmão, os quais estavam ansiosamente me aguardando. Eu estava com medo e tímida, mas todos foram muito compreensivos. Eu tinha apenas oito anos quando “nasci” nesta nova família.

Fomos ao juizado; entrevista com assistente social, entrevista com psicóloga, entrevista com juiz… todos preocupados com meu bem estar e se realmente era isto que eu queria. Naturalmente, eu não tinha dúvidas que esta nova família me amava.

Um ano depois de meu “nascimento”, minha “certidão” estava pronta. Era oficial!

Não vou dizer que foi fácil, pois toda a adaptação leva tempo e é complicada. Adaptar é harmonizar, acomodar, adequar sentimentos, a vida.

Não consigo imaginar como seria minha vida se meus pais não tivessem me adotado, se eles não tivessem decidido investir nesta relação, por medo e insegurança, como muitos fazem. “Adotar? Pode dar problema!” “Não conheço a família.” “E a genética?”

Meus pais não pensaram nisso. Apenas agiram com o coração, com o amor! Como minha mãe me falava: era seu desejo ter três filhos, desde solteira. Me contava que, após ter meus irmãos, sonhava com uma terceira criança, mas não conseguia ver o rosto. Depois que “eu nasci” na família, ela teve certeza que eu era a criança dos seus sonhos.

Sempre fui muito companheira de meus pais, minha mãe era minha confidente, amiga, conselheira. Meu pai ciumento, protetor e dedicado. Meus grandes exemplos.

Hoje já não tenho meus “pais do coração comigo”, mas sempre me senti muito especial, amada por eles me deram tudo o que sempre precisei. Estudo, amor, um lar… o mais precioso que eu podia receber: a estrutura de um lar onde eu era amada e onde eu amava! Nunca me vi como uma filha adotiva, mas como uma filha biológica! Ora fui tão amada e desejada, como poderia ser diferente? Meus pais poderiam não ter me escolhido, mas o fizeram; e mesmo antes de me conhecer. Sou muito privilegiada!

Foi nesse lar que eu aprendi mais e desenvolvi grande relação com o Criador do Universo. Foi nesse lar onde eu recebi a base de uma família para hoje ser mulher sábia em meu lar. Foi nesse lar que eu recebi a chance de me tornar quem sou hoje. Já que eu poderia ser mais uma criança sem ‘eira nem beira’ como tantas outras por aí.

Deus me deu uma chance, meus amados pais aceitaram a chance de serem instrumentos nas mãos d´Aquele que já tinha o propósito de minha vida. Hoje eu sou extremamente feliz em meu lar, sou psicólogo graças a formação que meus amados pais me proporcionaram e sou esposa graças aos incansáveis esforços deles em me ensinarem tantos dos valores que carrego hoje. Sou feliz porque tenho um Pai no céu que não me desampara e que jamais me desamparou! Almejo, com toda minha alma, reencontrar meus pais num futuro não tão distante…”

Dados de contato:

Romilda Alessandra Pedromo Trindade, 32 anos, casada. Psicóloga. E-mail:romipedromo@gmail.com

Com muito amor você nasceu do nosso coração. Por Luciane Franzoni Reinke

Cristian Franzoni Reinke, uma vida, um sonho, que veio nos trazer felicidade. O nascimento que veio de repente, acompanhado do amor que brotou do coração e cresce a cada dia. És especial em nossas vidas, hoje já não saberíamos viver sem você. 

Quando te conhecemos, foi como ver uma vida nova nascendo em nós, foi como se apenas faltasse você em nossa família. Os dias foram passando e estávamos sentindo a ansiedade do seu nascimento em nosso meio. Uma semana depois e chegou a hora do seu nascimento, que para nós já é definitivo em nossas vidas. A cada novo dia novas descobertas para nós e para você, que bom te ter aqui filho.

Obrigada pela tua alegria, coragem e força, tão pequeno enfrentando tantos obstáculos, tendo que conquistar e ser conquistado. Sempre estaremos juntos prontos para te ensinar e aprender com você mil motivos para viver e acreditar que o amor tudo suporta, tudo pode e que Jesus Cristo sempre tem propósitos em nossas vidas e se ele nos juntou nada irá nos separar.

Te amamos.

Com muito amor você nasceu do nosso coração.

Parabéns filho!!!! Amanhã é nosso dia, o dia de comemorar a tua chegada na terra, mas principalmente, a tua chegada nas nossas vidas…

Luciane Franzoni Reinke

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Poema: O que temos em comum? Por Luciane Franzoni Reinke

“O que temos em comum? A mesma busca, os mesmos sonhos, o de ter uma família. Alguém para cuidar, amar, um ser para receber carinho, amor…O que temos em comum? O mesmo sorriso…aquele que expressa nossa felicidade de termos nos encontrado. O que temos em comum? Um olhar atraente, que brilha e mostra que realmente Deus planejou tudo isso…Filho TE AMAMOS…e sabemos que tu nos ama também.”

Por Luciane Franzoni Reinke

Nando E Lu Reinke