Adoção: Informações que os pediatras precisam conhecer

Normalmente o consultório do Pediatra é o local onde os pais despejam todas as suas inseguranças e dúvidas acerca da saúde e do comportamento de seus filhos. Por isso, a importância de se desvendar questões que envolvem a adoção de crianças.

O Manual de Pediatria nasceu da necessidade de padronização de conduta dos vários serviços de puericultura da Faculdade de Medicina do ABC e não tem outra pretenção a não ser um instrumento rápido de consulta para pediatras e outros profissionais que atuam em consultórios ou ambulatórios de pediatria. As informações nele contidas seguem as determinações da Organização Mundial de Saúde, Ministério de Saúde e Sociedade de Pediatria. O volume foi escrito por professores da Faculdade de Medicina com a participação de profissionais de outras áreas de conhecimento, sendo publicado com apoio da Nestlé Nutrition em conformidade com a lei 11.265 de 3 de janeiro de 2006.

O texto a seguir faz parte desse manual.

doctor-checked-children-girls-body-100235763

Imagem da internet

CRIANÇAS ADOTIVAS: INFORMAÇÕES QUE OS PEDIATRAS PRECISAM CONHECER 

 Dra. Denise de Oliveira Schoeps
Maria Inês Villalva
Normalmente o consultório do Pediatra é o local onde os pais despejam todas as suas inseguranças e dúvidas acerca da saúde e do comportamento de seus filhos. Por isso, a importância de se desvendar questões que envolvem a adoção de crianças.
Primeiramente é preciso esclarecer que existem duas maneiras de se adotar uma criança:
  • Adoção Legal: realizada por meio da Vara da Infância e Juventude, que inicialmente concede aos pretendentes a adoção o Termo de Guarda Provisória, para depois de comprovada a adaptação da criança à família e vice-versa, dá sentença de adoção.
  • Adoção Ilegal ou à Brasileira: obtida por meios escusos, onde normalmente os adotantes se fazem passar por pais biológicos obtendo por meio de declarações falsas, a Certidão de Nascimento da Criança em seu nome. Esta prática é considerada criminosa (falsidade ideológica) que traz muita insegurança e medo, sendo portanto, a maneira menos indicada de se adotar.
A adoção legal assegura à criança todos os direitos dos filhos biológicos, inclusive o direito sucessório (direito à herança), não constando na Certidão de Nascimento, nenhuma observação que denuncie a adoção. Assim sendo, a criança adotiva é legitimada como filho(a), neto(a), sobrinho(a), não havendo nenhuma restrição entre ela e os filhos biológicos.
É importante ressaltar que por trás da adoção existe sempre uma história de dor, ocasionada pelo abandono, negligência, rejeição e ou maus tratos físicos e psicológicos. Nenhuma criança ingressa no cadastro da adoção se não tiver em situação de vulnerabilidade social ou risco pessoal.
Os adotantes, principalmente aqueles que por questões de esterilidade ou infertilidade, aguardam a chegada do filho adotivo, vivenciam muita angústia e ansiedade nesse processo de espera, que dependendo do perfil exigido para a criança, costuma ser muito longo.
Acolher como filho alguém que foi gerado por terceiros não é tarefa fácil e exige dos adotantes o devido preparo para que adoção tenha o êxito esperado.
Muitos acreditam que a adoção de bebês é mais tranqüila, esta afirmativa está parcialmente correta, pois mesmo com poucos dias de vida, a criança precisa de um tempo para se sentir segura no lar substituto. São novos odores, novos sons, novas imagens, novos contatos que requerem um esforço da criança para se adaptar, afinal aquela que a carregou no ventre não é esta que agora se apresenta como sua mãe.
Crianças que conviveram em abrigos (antigos internatos ou orfanatos) costumam exigir dos adotantes mais compreensão e paciência, pois dependendo da idade e do tempo de abrigamento, esqueceram-se como é viver em família.
A institucionalização tira da criança o sentimento de propriedade e posse, pois tudo que existe no abrigo é dividido com outras crianças (roupas, brinquedos) e até mesmo a atenção do adulto.
Sair de uma situação onde a criança é mais uma e onde suas necessidades e interesses pessoais não são observados, provoca uma nova sensação de abandono, o abandono institucional.
Ao chegar a uma família, essa criança requer toda atenção e compreensão, pois precisa aprender a ser filho e mais do que isso, necessita de um tempo para assimilar as novas regras familiares.
Diante de todos estes aspectos que envolvem a adoção, pais adotivos costumam ter dificuldades em por limites em seus filhos. Na expectativa de poupá-los de mais sofrimento, ou no entendimento equivocado de que o não possa ser traduzido como desamor, pais adotivos optam, muitas vezes inconscientemente, por uma educação permissiva, que gera insegurança e infantilização da criança.
É importante pontuar que os adotantes assumem um compromisso com o passado, o presente e o futuro do filho. Passado este, que muitas vezes é uma breve, ausente e geralmente trágica história, mas que precisa ser respeitada e acolhida como a história do filho.
Os poucos antecedentes familiares e pessoais da criança adotiva dificultam ao pediatra o reconhecimento de fatores de risco à saúde a que esta criança esta exposta, pos isso é importante observar as orientações abaixo:
a) adoção de bebês (crianças menores de dois anos) com antecedentes pré-natais desconhecidos;
  • Solicitar exames básicos (reações sorológicas para HIV; sífilis; toxoplasmose; rubéola; sitomelovírus e hemograma);
  • Estimular, nos primeiros meses de vida do bebê, a lactação da mãe adotiva, apoiando-a e confortando-a independentemente do resultado;
  • Orientações básicas de puericultura: alimentação; higiene; crescimento e desenvolvimento; imunização; avaliação visual e auditiva, etc.
b) para maiores de 2 anos:
  • Orientar retirada de fraldas; mamadeiras e chupetas com devido respeito ao ritmo e história pregressa da criança;
  • Esclarecer sobre a socialização, fase da fantasia, birras, diminuição do apetite, egocentrismo, etc.
c) orientações gerais para todas as idades:
  • Acompanhamento de puericultura até os 10 anos;
  • Estimular a família a buscar apoio psicoterapêutico;
  • Educar filhos adotivos, como se biológicos fossem. Em se tratando de famílias mistas (com filhos biológicos e adotivos) não estabelecer nenhum tipo de diferença no trato entre ambos, com a devida atenção às especificidades de cada um;
  • Revelar a origem do filho adotivo paulatinamente e em consonância com o seu estágio de desenvolvimento. A verdade deve no entanto, passar por um crivo, de modo a prevenir a revelação de detalhes traumatizantes, ex.: criança que foi encontrada no lixo não deve conhecer este episódio;
  • Evitar comentários negativos ou julgamento dos pais biológicos, de modo a não macular a imagem dos mesmos diante da criança;
  • Orientar pais adotivos a freqüentarem grupos de apoio à adoção e a buscarem literatura alusiva ao tema;
  • Preparar os pais para o momento em que o filho manifestar desejo de conhecer os pais biológicos. Esta manifestação é muito comum na fase da adolescência e juventude e não significa que resulte na substituição dos pais adotivos, muito ao contrário, satisfeita a curiosidade, o filho normalmente não toca mais nesse assunto;
  • Pais adotivos precisam ser orientados sobre a herança genética e a herança cultural, de modo a não atribuir todos os comportamentos e manias da criança apenas ao fator genético. É importante esclarecer que a questão cultural também tem um peso significativo na formação da criança e portanto, a educação, o ambiente e os exemplos são componentes acrescidos no lar adotivo.
Denise de Oliveira Schoeps
Maria Inês Villalva
Assistente Social
Cress: n° 6.115
Fonte: http://portaldaadocao.com.br/artigos/a-palavra-do-especialista/1-adocao-para-pediatras
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s